Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, diz o povo. Ou todos têm razão, porque “O pão que sobra à riqueza, distribuído pela razão, matava a fome à pobreza e ainda sobrava pão”, diz António Aleixo. Quando há eleições, todos ganham, e apenas alguns têm razão.
Baseados na estatística, na sub-estatística e na micro-estatística, mascarados de análises profundas e elucubrações sugestivas de superioridade intelectual, sem factos concretos nem provas sólidas, e que não passam de conjecturas, encontramos alguns teóricos que dizem ganhar quando perdem, que minimizam a derrota com pretextos culpando os outros, que não assumem o fracasso que poria o seu ego em causa.
E entre aqueles que ganham, porque apresentam um(a) candidato)a) melhor e mais qualificado, mais competente e mais popular, mas, fazendo parte da equipa, há os que também recebem os louros e méritos (devidos?…), quando durante a caminhada foram obstáculo metendo o pau na roda, tentaram outras alternativas para não pôr em causa o seu lugar, estimularam a divisão em reuniões setoriais, apresentando-se em público como reis da unidade.
Diz-se que é preciso saber perder, tal como é preciso saber ganhar, mas (com excepções), encontramos quem recuse a derrota por medo das consequências políticas pessoais, e quem assuma a vitória como se fosse sua em exclusivo, alcandorando-se no emprego e segurando-se no cargo político decisório das nomeações, para garantir outras eleições (internas).
As forças políticas são confrontadas com estratégias, lideranças partidárias, coligações e movimentos de opinião.
A estratégia política, baseada na ciência política, é um plano geral para alcançar um ou mais objectivos globais ou de longo prazo sob condições de incerteza, que passa pela definição de esquerda e direita e sua justificação em benefícios para os cidadãos ou para o usufruto pessoal e grupo estilizado ou elitista, pela obtenção de metas e taxas de execução em direitos humanos ou em privilégios de classe, pela eficácia pretendida em inovação e sustentabilidade, estimulando a participação ativa das pessoas ou coartando direitos, inclusive laborais.
Lideranças, coligações e movimentos
As lideranças partidárias são coordenadores de opinião e incentivo à democracia de base ou são centralistas democráticos de fonte Rosa Luxemburgo, são imagem do sucesso quando é o caso ou são protagonistas do que não tiveram por ideia mas assumiram como seus os êxitos que encantam, têm espírito de missão por uma sociedade melhor ou apenas têm apego ao poder, veem os seus pares como parceiros de luta ideológica e camaradas no desempenho ou consideram-nos apenas como material de consumo corrente para servir os desígnios do comando.
As coligações têm sido (salvo honrosas excepções) apanágio da direita, que tudo faz para atingir o poder, sendo que a esquerda parece ser, na prática, elitista (o que se estranha, dada a solidariedade-base), defensora de princípios (que não quer admitir aos outros ou não se quer misturar, na sua “pureza”), sectária, intolerante e intransigente, com proselitismo (com medo de se diluir, arrastando-se), não percebendo que os novos valores (progresso, desenvolvimento sustentável, causas peticionárias em ambiente e direitos humanos) congregam mais pessoas aderentes e triunfo eleitoral, programático, conquista e prosperidade.
Os movimentos de opinião, autónomos dos partidos, são oriundos das preocupações com a deterioração da sociedade e seus recursos, ou são quadros que abandonaram ou foram expurgados das forças políticas (por recusa de candidaturas, lideranças indesejadas ou inimizade de estimação), são frente útil da sociedade civil organizada e habilitada ou são fanáticos dum objetivo (por vezes trocada por um lugar de ministro, deputado ou autarca).
A vitória deve ser agregadora de pessoas, vontades e consciências, sublimando as divergências secundárias, de forma a contribuir para o desenvolvimento, com a humildade da glória aos vencedores e honra aos vencidos, unindo cidadãos, forças políticas e propostas sem facciosismo.
(*) Médico