A manhã sobe devagar pela encosta da serra, como quem respeita o silêncio das pedras e o ritmo dos pastores. No capril da Serra do Bidueiro, cravado nos baldios em São Miguel de Poiares, o dia começa com o som das sinetas e o cheiro a mato fresco. As cabras descem, espalham-se pelos matos e limpam aqui lo que o fogo, tantas vezes, destrói. Ali, ainda há quem use a terra como antigamente – em comunidade. Os baldios — esses territórios de uso comum — continuam vivos. E a pastorícia, pelo menos por um dia, deixa de ser passado, é torna-se instrumento de futuro.
Artigo para ler, esta quinta-feira, na versão impressa do “Campeão das Províncias”