A vitória de domingo passado é, antes de mais, a vitória daqueles que souberam ler de forma correta os “sinais do tempo”. Esse conjunto de pessoas que, no final de agosto do ano passado, começou a esboçar o entendimento que viria a ser o “Avançar Coimbra” estava certo. A construção da coligação, as longas horas de discussão de um programa conjunto, mais a fraternidade cimentada no trabalho árduo, viriam a ser o elemento anímico que ligou essas pessoas até hoje. Os eleitores sentiram isso: “eles são capazes de ultrapassar divergências antigas”, é o tempo de unir vontades para melhorar a vida e combater os que se alimentam da frustração.
A derrota da direita no domingo passado é o contrário disso. Alcandorada numa postura de fria supremacia técnica, sempre a comparar-se com o passado, a maioria de direita conseguiu o mais difícil: juntou todos contra si, foi incapaz de fazer pontes e demoliu algumas pontes mais que possíveis. Nem o favorável fator nacional lhe evitou a queda.
Ana Abrunhosa e a sua equipa (entendida num sentido muito largo que abrange a nova Assembleia Municipal e muitas dezenas de eleitos em todas as Freguesias) têm agora a delicada tarefa de empreender um corajoso programa e ao mesmo tempo gerar novos fatores de união: com os/as eleitos/as de outras forças que assim o desejem, com os trabalhadores do Município, com as associações e as empresas, com os agentes culturais, com todos e todas os que não querem desforras nem acertos de contas.
Queremos apenas o que propusemos: Avançar Coimbra. Com todos os que também quiserem. Todos mesmo.
(*) Coordenador do Movimento Cidadãos por Coimbra