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“Vinho da Figueira da Foz” já foi dos melhores do mundo

6 de Outubro 2025 Jornal Campeão: “Vinho da Figueira da Foz” já foi dos melhores do mundo

O “Vinho da Figueira” foi o mote para uma palestra organizada pelo Rotary Club da Figueira, um tema sobre um produto que, cada vez mais, reúne inúmeros apreciadores, para além da maioria dos figueirenses e não só, saberem que a Figueira da Foz no século XIX já foi marca de vinho e até recebeu muitas medalhas e menções honrosas, como um dos melhores vinhos do mundo.

Paulo Francisco Pereira foi o convidado do Rotary Club da Figueira da Foz para mais uma Conversa-Rotary, que teve lugar na Assembleia Figueirense, perante casa cheia, desta feita sobre interessante e talvez menos conhecida temática relativa à identidade histórica e socioeconómica da Figueira da Foz e sua região.

“Entre a realidade e o mito: o vinho Figueira no século XIX” foi o tema da investigação que habilita Paulo F. Pereira a explicar o dinamismo e a dimensão da produção e exportação de vinhos na Figueira da Foz, durante o século XIX. Que factores permitiram a valorização do vinho Figueira neste século, de que categoria de vinho se tratava, quem o comerciava localmente, como se exportava e para onde”, foram algumas questões a que o convidado deu fundamentadas respostas.

O orador explicou que as suas investigações sobre o “Vinho Figueira” tiveram como fundamento o seu mestrado e brevemente o seu doutoramento, na Universidade de Coimbra, razão pela qual evocou os nomes de Irene Vaquinhas e de Rui Cascão, ambos professores na Universidade de Coimbra e com trabalhos diversos sobre a história da Figueira da Foz, principalmente Rui Cascão que, entre outros trabalhos, publicou em Agosto de 2011 na edição Litorais – estudos figueirenses, um trabalho excelente, “Notas para a história dos Vinhos da Figueira”.

Nesse trabalho, Rui Cascão refere que “uma parte razoável do espaço do concelho da Figueira da Foz foi outrora ocupado pela vinha, mesmo em algumas zonas onde essa cultura agrícola depois desapareceu total ou parcialmente. Durante muito tempo, o lugar da Figueira da Foz do Mondego, depois da elevação a vila (1771) e, por fim, a cidade (1882, funcionou como centro de produção e comércio de vinhos”. Neste trabalho o professor universitário da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, cita os lugares onde havia vinha, como por exemplo a grande maioria do Bairro Novo (antes de 1860) era todo vinha. “Antes de 1857 a produção de vinho no conjunto do concelho, atingira perto de 20.000 pipas anuais – cerca de 10 milhões de litros”.

A zona do Mar Báltico, o Brasil (Rio de Janeiro, Baía, Pernambuco, Pará, Maranhão, Ceará e Rio Grande do Sul,), colónias africanas, França, Açores, Inglaterra, Rússia. Estados Unidos, Holanda, Itália, Suécia foram, entre outros países, os principais destinos do Vinho da Figueira e que “durante mais de um século, o comércio de vinhos foi a actividade principal e a mais importante fonte de riqueza da Figueira da Foz

Tal como o orador Paulo Francisco Pereira disse “a Figueira da Foz foi muito medalhada pelos seus vinhos”, cujas listagens estão referidas nas enotecas brasileiras, Rui Cascão refere que “na exposição universal de Filadélfia, realizada em 1876, concorreram nove expositores do concelho da Figueira, dos quais sete foram premiados” mencionando mesmo os nomes dos seus produtores. O mesmo aconteceu nas exposições de Paris (1878 e 1900), Coimbra (1884) e Cidade do Cabo (1901).

“O ano mais excepcional foi o de 1886, em que se terá verificado o máximo absoluto de sempre, exportaram-se 14.643 pipas (de 480 litros cada), o equivalente a mais de sete milhões de litros”.  Mas como em tudo na vida nada dura para sempre, o declive aconteceu quando “o factor decisivo foi a contrafacção, a que se dedicavam muitos produtores menos honestos”

Esta conversa-rotary terminou com muitas perguntas ao orador e onde foi também evocada a memória de José Mendonça, falecido recentemente, que foi dos últimos produtores de vinho do concelho, com a conhecida marca “Quinta dos Cozinheiros”.