Ultrapassado o momento crítico em que as lideranças tiveram a oportunidade de escolher os elementos da respectiva equipa, que os vão acompanhar no próximo ciclo de governação autárquica, num contexto democrático saudável e participativo, a apresentação de um programa político claro, coerente e estruturado é uma exigência fundamental para qualquer candidatura às eleições autárquicas. A ausência de propostas sólidas não só fragiliza a relação de confiança entre eleitores e eleitos, como compromete o desenvolvimento sustentável do território. Por isso, torna-se inequívoca a necessidade de que cada candidatura apresente um plano de acção que integre opções de curto, médio e longo prazo, reflectindo uma visão estratégica e responsável para o futuro do Município.
No curto prazo, os eleitores esperam respostas imediatas para os problemas mais urgentes da comunidade, como por exemplo acessibilidades, transportes, limpeza urbana, habitação ou serviços sociais. Estas medidas de impacto imediato demonstram sensibilidade às necessidades reais da população e a capacidade executiva da autarquia para resolver o que é premente.
A médio prazo, é essencial que o programa político estabeleça objectivos que vão além da resposta imediata, promovendo a reorganização e o fortalecimento das infra-estruturas municipais, o estímulo à economia local, a modernização administrativa ou a promoção cultural e educativa. Esta dimensão exige articulação entre diferentes áreas de governação e uma visão integrada das potencialidades e desafios do concelho.
Ir além do imediato
No longo prazo, espera-se que o programa reflicta uma visão estratégica transformadora, tais como políticas ambientais sustentáveis, transição energética, planeamento urbano inteligente, coesão territorial e social. É neste horizonte que se avalia a verdadeira ambição política e o compromisso com as gerações futuras.
Na ausência de propostas nos termos referidos ou semelhantes, os programas políticos tendem a ser meros catálogos de intenções genéricas, sem capacidade real de orientar a governação autárquica. Um programa bem estruturado não é apenas um instrumento de campanha – é um contrato político e ético com os cidadãos, que permite escrutínio, avaliação e responsabilização.
Assim, qualquer candidatura séria e comprometida com o interesse público deve apresentar um programa que vá para além do imediato, articulando respostas concretas para hoje com estratégias sustentáveis para amanhã. É essa a base da boa governação local.
Olhando expectativamente para os diversos casos do nosso país, em especial na área territorial Centro, existe a curiosidade de percepcionar se a estratégia de agregar em torno de uma área metropolitana, ou equivalente, está directa ou indirectamente presente nos objectivos dos municípios. Algumas das propostas devem ser focadas na realidade autónoma das autarquias, mas deve existir uma ambição colectiva de criação de identidade regional, à semelhança de Lisboa e Porto, de forma a tornar o desafio de empoderamento desta região um desígnio de e para todos.
Boa sorte para todas as equipas que vão estar presentes neste acto eleitoral, de fundamental importância para a vida das pessoas e empresas.
(*) Doutorando e investigador