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Articulação do MetroBus com autocarros urbanos preocupa candidatos em Coimbra

19 de Setembro 2025 Jornal Campeão: Articulação do MetroBus com autocarros urbanos preocupa candidatos em Coimbra

 

A maioria dos candidatos autárquicos em Coimbra mostrou preocupação com a articulação entre o MetroBus e os autocarros urbanos, num debate em que o actual presidente reclamou para si o arranque preliminar do novo projecto de mobilidade.

Num debate na RTP3, na quinta-feira, em que participaram os sete candidatos à Câmara Municipal nas eleições de 12 de Outubro, o arranque preliminar do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), que começou a funcionar recentemente num troço de cinco quilómetros da cidade, aqueceu os ânimos, com acusações e críticas sobre o processo e preocupações na sua articulação com os Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC).

“Pusemos o MetroBus a andar”, vincou o actual presidente do município, José Manuel Silva, que se recandidata pela coligação Juntos Somos Coimbra (PSD/IL/CDS/NC/PPM/MPT/V), salientando que, apesar de ter herdado o projecto, foi o seu executivo que o pôs no terreno em diálogo com a Infraestruturas de Portugal, “quando mais ninguém acreditava” naquele processo com mais de 30 anos.

Para o autarca, com o arranque preliminar de um troço que futuramente deverá ligar Coimbra à Lousã, os conimbricenses “já conseguem imaginar a cidade do futuro”.

Em contraponto, a candidata da coligação Avançar Coimbra (PS/L/PAN), Ana Abrunhosa, salientou que o MetroBus “é uma obra do Estado”, referindo que, se fosse presidente do Município, rejeitaria o arranque preliminar na cidade, antes de garantir que as populações de Lousã e Miranda do Corvo tivessem esse transporte.

“A prioridade não é este troço para andar a brincar ao MetroBus’”, criticou a candidata, que foi logo interpelada por José Manuel Silva, que disse que Ana Abrunhosa “está muito chateada” que o SMM “esteja já a andar”.

Ana Abrunhosa defendeu também que a cidade já deveria saber como é que esse novo projecto será articulado com a rede dos autocarros urbanos (há um estudo em execução nesse sentido) e garantir que os SMTUC chegam a todas as freguesias que não são servidas.

Apesar de a CDU (coligação PCP/PEV) ter sido sempre contra o MetroBus, que ditou o fim da linha ferroviária, o cabeça-de-lista da coligação, Francisco Queirós, entendeu que, neste momento, é preciso que o projecto “venha rapidamente, mas que se articule com os SMTUC”.

O vereador da CDU disse que se deve assegurar que a rede dos transportes urbanos chegue a todo o concelho, posição também assumida pela candidata do Chega, Maria Lencastre Portugal.

Em linha com outros partidos, a candidata defendeu também que “tem de haver uma ligação [entre os dois meios de transporte]”, mas criticou o próprio projecto do MetroBus que não “beneficia rigorosamente nada” Coimbra e que até irá prejudicar a cidade.

Já José Manuel Pureza, do Bloco de Esquerda, focou a sua intervenção na proposta de gratuitidade dos SMTUC, entendendo que essa “é a grande revolução na política de mobilidade de uma cidade”, apesar de reconhecer que o MetroBus poderá ser um instrumento importante. O candidato bloquista sublinhou ainda a necessidade de “paz e justiça social” dentro dos SMTUC.

O candidato do ADN, Sancho Antunes, que é motoristas nos SMTUC, defendeu a aplicação do subsídio de insalubridade aos funcionários (um parecer apontou no passado para a ilegalidade da medida) e criticou PS e PSD – à frente de Governo e Município em diferentes momentos – por não resolverem o problema das carreiras destes trabalhadores.

Tiago Martins, candidato da Nova Direita, considerou que antes de se avançar com propostas sobre o MetroBus será necessário avaliar o impacto que o novo projecto irá ter em Coimbra e perceber se o investimento valeu a pena, numa intervenção em que destacou que a luta dos motoristas dos SMTUC é justa.