Não vamos falar de uma campanha laboral (o que até seria muito meritório), pois traduz um período de actividade produtiva, que se torna útil para trabalhadores e consumidores, gerindo as necessidades de sustentação da pessoa e da economia.
Vamos abordar desta vez a campanha política (tão maltratada que ela anda…), onde observamos aspetos pedagógicos e propostas a ponderar sem tibiezas e com seriedade e oportunidade, e por vezes constatamos destilar de fel e vinagre, verborreia fedorenta, deturpação por conveniência, mentira quanto baste.
Fiz campanha em 1969 e 1973, pela CDE e CEUD, movimentos de oposição ao regime da ditadura representativos de áreas ideológicas diversas, mas confluentes na contestação ao salazarismo, à repressão e à ausência da liberdade de expressão do pensamento, pelo que sofri as inerentes consequências.
Felizmente, hoje existe a liberdade de expressão que a Constituição de 1933 condicionava, e qualquer cidadão expressa as suas opiniões, de acordo com a sua formação e ideário, ainda que se encontrem por vezes demonstrações de ignorância, vernáculo de mau gosto, facciosismos por interesses mesmo escabrosos, oportunismos para angariação de emprego desqualificado.
Estamos em vésperas de campanha eleitoral autárquica formal, sendo que a informalidade da propaganda tida como necessária pelos autores se estenda ao longo do tempo, fazendo propostas sóbrias e executando acções benéficas, apenas marcando território ou manipulando os destinatários, com ardilosos discursos que são farsas ou mesmo trapaças.
Tenho por longa experiência (por vezes desfigurada, outras menosprezada e nem sempre respeitada, habitualmente por mentecaptos), fundamentar as opiniões e os factos que apresento, e que me levam à legítima defesa de um modelo de sociedade, em que a igualdade de oportunidades, o apoio social, a cultura e o desporto para todos, o progresso e o desenvolvimento sustentável são apanágio.
Autocarros pré-eleitorais
Mas há quem nem sequer leia o contexto, a ideia e a convicção (ou saiba ler e interpretar) e se preocupe apenas com o bota-abaixo, desbragando instintos primários de maledicência, não percebendo (ou não querendo perceber) pontos de vista e juízos de valor, apenas com o objectivo de fazer valer não o contraditório, mas a subjectividade da sua crença.
As redes sociais, no início desvalorizadas até por snobismo, hoje endeusadas como se a verdade absoluta estivesse na afirmação gratuita, as “fake” confundindo-se com a veracidade, a irrealidade mascarando-se de autenticidade, são hoje um padrão de civismo ou incivilidade, uma lição de sabedoria ou um vómito de má-fé, uma expressão de sentimentos de alegria e tristeza ou uma crítica soez sem rigor nem dignidade.
O povo eleitor, que esteve amordaçado até ao 25 de Abril, está hoje amodorrado, por desacreditar na integridade de quem a tem (errare humanum est) e a facilidade de acreditar nas promessas do bem celestial que vem embrulhado em autocarros pré-eleitorais gratuitos, em obras cujo autor principal não é o da placa de inauguração, em actos de lana caprina que parecem ter a importância do mundo e arredores, no desprezo do rio Mondego que é central (e vital) para a cidade, na sujidade do espaço público (redimido em campanha) a que se habituou.
Ao contrário de algumas personagens não identificadas que vão insultando quem ousa e figuras sinistras ameaçadoras para quem não é do status quo, e que abundam nas redes sociais em teia organizada, sou de opinião assumida que Ana Abrunhosa é a pessoa mais indicada para liderar o município de Coimbra. Tenho profissão, não tenho ganho secundário, sou socialista, sou livre. E não tenho medo.
(*) Médico e vereador do PS na Câmara de Coimbra