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Aos 130 anos Coliseu Figueirense volta a sonhar com a cobertura da praça

1 de Setembro 2025 Jornal Campeão: Aos 130 anos Coliseu Figueirense volta a sonhar com a cobertura da praça

A autarquia figueirense está a analisar a possibilidade de colaborar e intervir no Coliseu Figueirense, sobretudo na possibilidade de uma cobertura para a praça que permita transformá-la numa casa de espectáculos durante todo o ano.

Por sugestão e convite do Provedor da Misericórdia Obra da Figueira, Joaquim de Sousa (instituição ligada à fundação do Coliseu), o Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, acompanhado pela vereadora Anabela Tabaçô, visitaram recentemente o Coliseu Figueirense, onde foram recebidos pelo presidente da Instituição, Miguel Amaral, ladeado por outros membros dos corpos sociais, que inteiraram o edil dos objectivos e necessidades mais prementes daquele histórico e emblemático edifício.

O Coliseu Figueirense é um dos marcos históricos e culturais mais emblemáticos da Figueira da Foz. Inaugurado a 25 de Agosto de 1895, nasceu do sonho de criar uma praça de touros moderna e digna, à altura da forte tradição tauromáquica da cidade.

A iniciativa partiu de João Antunes Pereira das Neves, médico e empreendedor local, que reuniu uma comissão de entusiastas para fundar a «Companhia do Coliseu Figueirense», responsável pela construção da praça.

Em 2005, o Coliseu foi oficialmente classificado como Imóvel de Interesse Municipal, em reconhecimento ao seu valor histórico, arquitectónico e simbólico.

Anualmente, abre as suas portas não só a eventos tauromáquicos mas também a outros eventos culturais, desportivos e festas da cidade entre outros.

Mas nos últimos anos tem sido notório por todos aqueles que visitam a Figueira da Foz, nomeadamente estrangeiros, o interesse nas visitas à praça de touros e toda a sua envolvência, sobretudo nas lides tauromáquica. Está considerada a praça mais bem cuidada e preservada do país e presentemente é uma mais-valia no enriquecimento do turismo figueirense, que está de portas abertas e que é uma verdadeira “jóia” que merece uma visita, não só pela sua arquitectura mas também pelo espólio que reúne no seu interior.

Recorde-se que em 2016, a administração da Companhia do Coliseu Figueirense apresentou o projecto de reconversão – cobertura móvel e ventilação da praça de touros (abre e fecha em cerca de 10 minutos), um projecto de que se fala há várias décadas. Trata-se de um trabalho dos arquitectos Carlos Guedes de Amorim e Conceição Reis da Costa, autores de outros projectos semelhantes, o caso da Praça de Évora e que explicaram também que houve várias praças espanholas reconvertidas com sistemas idênticos para tirar melhor rendimento do espaço em questão.

É um projecto interessante que sem alterar a traça centenária do coliseu, pode acrescentar valor à infra-estrutura, criando novos vectores de interesse, para além dos espectáculos taurinos, o espaço fica dotado de novas valências que permitem as mais diversas realizações culturais, sociais e desportivas (espectáculos musicais, passagens de modelos, exposições, feiras, congressos, etc.), que pode incluir um restaurante com vistas panorâmicas para o interior da praça e exterior com vistas para o mar.

Em 2016, a obra orçava os dois milhões de euros só na cobertura e ventilação (fora arranjos exteriores e outras obras). Perante toda esta informação, Pedro Santana Lopes vai estudar o assunto e ver se há condições de concorrer a fundos comunitários no âmbito do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, um programa de aplicação nacional, com um período de execução até 2026, que visa implementar um conjunto de reformas e investimentos destinados a repor o crescimento económico sustentado, após a pandemia, reforçando o objectivo de convergência com a Europa, ao longo da próxima década.