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José Miguel Ramos Ferreira assume desafio de revitalizar Miranda do Corvo

31 de Agosto 2025 Jornal Campeão: José Miguel Ramos Ferreira assume desafio de revitalizar Miranda do Corvo

José Miguel Ramos Ferreira é o candidato da coligação PSD/CDS-PP “Juntos por Miranda” à Câmara Municipal de Miranda do Corvo. Natural do concelho, é advogado e tem dedicado a maioria da sua vida profissional à gestão empresarial. Nos últimos anos, tem liderado o Conimbriga Hotel do Paço e o projecto de turismo com propósito da Fundação ADFP, distinguido em 2024 com o Prémio Nacional de Turismo Expresso/BPI, acumulando ainda colaboração com várias instituições de ensino superior em Portugal e Espanha. Reconhecido como uma voz activa, firme e empenhada na defesa de Miranda do Corvo e da região de Coimbra, José Miguel esteve na Rádio Regional do Centro, onde falou sobre as motivações, os principais objectivos e a visão que tem para o futuro do concelho.

 

Campeão das Províncias [CP]: O que o levou a aceitar este desafio de ser candidato à Câmara Municipal de Miranda do Corvo?

José Miguel Ramos Ferreira [JMRF]: Antes de mais, quero sublinhar, com humildade, que este não era o meu lugar por direito. O candidato natural do PSD era o Paulo Silva, que em 2021 já tinha obtido um resultado muito próximo do PS e que, com o trabalho de oposição desenvolvido nos últimos quatro anos, estou convicto que seria o nosso próximo presidente da Câmara. Perante a fatalidade que todos conhecemos, e tendo em conta a avaliação que faço do concelho, senti que não podia recusar o apelo da minha terra e das nossas gentes. Abdicarei de algum conforto pessoal para assumir esta missão, porque Miranda do Corvo precisa de uma alternativa clara à decadência provocada pela governação dos últimos anos.

 

[CP]: Que equipa o acompanha nesta candidatura?

[JMRF]: Respeitei integralmente a vontade do Paulo Silva e mantive a equipa competente que ele tinha organizado para a vereação. Em simultâneo, assumi a obrigação de motivar novos elementos, de grande valor, a juntarem-se a nós. Entre muitos exemplos é o caso da Dra. Adília Farinha que propomos para liderar a Assembleia Municipal ou da extraordinária disponibilidade que recebemos de várias referências no concelho como é o caso do Sr. Isidoro Correia da Silva, do Eng. Hugo Serra ou do medalhado paraolímpico Diogo Cancela. Destes exemplos, nenhum é militante do PSD. Estamos juntos para oferecer aos mirandenses uma alternativa clara perante o projeto de continuidade apresentado pelo Partido Socialista onde a esmagadora maioria dos protagonistas são os mesmos que têm liderado o concelho e que, de forma tímida, estranha e até questionável, procuram agora mostrar algum afastamento perante Miguel Batista.

 

[CP]: Considera que, nos últimos anos, Miranda do Corvo perdeu uma oportunidade de se desenvolver?

[JMRF]: Não quero ser injusto, mas a verdade é que se perdeu uma oportunidade gigante em Miranda do Corvo. Durante doze anos, o Partido Socialista foi maioritário na Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Juntas de Freguesia e contou, na maior parte desse tempo, com um governo nacional da mesma cor política. Isto deu-lhe todas as condições para transformar o concelho. No entanto, a realidade foi outra: perdemos população, desperdiçámos fundos europeus e não conseguimos dar uma nova dinâmica empresarial ao concelho.

 

[CP]: Em que aspectos concretos considera que o concelho ficou para trás?

[JMRF]: Dou três exemplos claros. Entre 2011 e 2021, Miranda perdeu mil habitantes, praticamente 10% da nossa população. Em segundo lugar, apesar das grandes promessas, estes doze anos foram o período em que menos quilómetros de saneamento se construíram desde o 25 de Abril em Miranda do Corvo. Por fim, temos uma auto-estrada desde 2012, um acesso privilegiado a Coimbra e à A1, mas não se fez nada para aproveitar essa vantagem. Perdemos milhões de euros em candidaturas aprovadas para a expansão de zonas industriais e não soubemos aproveitar o dinheiro disponível para saneamento. Ao mesmo tempo, deu-se primazia a investimentos enormes e de duvidoso retorno como é o caso da calçada.

 

[CP]: Acredita que pode vencer as próximas eleições?

[JMRF]: Acredito vamos vencer e que podemos representar uma enorme mudança. Tenho a convicção de que o concelho pode ser um dos melhores lugares para viver no distrito e no país.

 

[CP]: Que papel terão os transportes e a proximidade a Coimbra nessa estratégia?

[JMRF]: Um papel decisivo. Mais perto geograficamente, com a autoestrada e transporte público de hora em hora a Coimbra, o concelho goza de condições únicas quando comparado com os territórios vizinhos. Isto faz toda a diferença num tempo em que viver em Coimbra é cada vez mais inacessível para famílias de classe média e baixa. Quando um casal pensa comprar uma casa, percebe que em Coimbra precisa de meio milhão de euros; em Miranda encontra preços mais acessíveis. A pergunta que se impõe é: por que é que estas condições não têm atraído mais pessoas para aqui viver? Essa é precisamente a questão a queremos dar resposta.

 

[CP]:E como pensa resolver esse bloqueio ao crescimento populacional e económico?

[JMRF]:A chave está na habitação, na dignificação do espaço e património público, numa aposta clara no desporto e nas famílias, numa mudança de atitude face ao investimento, numa valorização do movimento associativo e no reforço da eficiência da Câmara. O que proponho é uma mudança clara na gestão do concelho de Miranda do Corvo. Dou o exemplo da habitação onde não só complicamos demasiado a vida a quem quer construir no concelho como tivemos milhões de euros do PRR acessíveis e destinados a construir habitação pública para venda ou arrendamento a preços controlados e Miranda não conseguiu construir uma única casa. Isso é incompreensível.

 

[CP]: Quais são as suas principais propostas para atrair mais habitantes para Miranda do Corvo?

[JMRF]: Pretendo intervir de forma decisiva no sector da habitação, criando condições para que hajam mais casas disponíveis no concelho, inclusive a preços controlados. Em simultâneo, temos de voltar a ter um concelho limpo, cuidado e amigo das famílias. Será difícil alguém compreender que, por exemplo, hoje não haja um equipamento desportivo na plenitude das suas capacidades no concelho. Tal como não é fácil aceitar que não existam programas de ocupação nas férias para crianças e jovens que sejam verdadeiramente atrativos e acessíveis a todos. Se arregaçarmos as mangas, podemos fazer muito melhor.

 

[CP]: Que medidas propõe para melhorar a qualidade de vida e os equipamentos públicos no concelho?

[JMRF]: É imperativo restaurar a dignidade do espaço público e recuperar o património público e desportivo. Apostaremos também na criação de novas e modernas áreas de lazer para que todos possam conviver. Um projecto central será a concretização do parque urbano do Jardim da Paz, com espaços verdes e infra-estruturas diferenciadoras para crianças. Aplicaremos a mesma estratégia de aposta nas famílias e valorização do espaço público nas restantes freguesias, nomeadamente com a construção de uma piscina pública em Lamas, a criação de um espaço infantil de referência em Semide e Rio de Vide e uma aposta clara na valorização e requalificação de espaços existentes na freguesia de Vila Nova. Em simultâneo, apresentaremos projetos inovadores nas áreas da cultura e da educação.

 

[CP]: Como pretende promover o desenvolvimento económico e empresarial em Miranda do Corvo?

[JMRF]: O nosso compromisso é criar condições para atrair empresas, fomentar emprego qualificado e afirmar Miranda como uma referência na área da inovação. Nos últimos anos, a Câmara Municipal desperdiçou uma candidatura aprovada de 2 milhões de euros da Europa para alargamento da Zona Industrial. É inconcebível que hoje uma grande empresa não possa encontrar terrenos para se instalar no concelho. É obrigatório mudar de atitude nesta matéria. Precisamos de adquirir terrenos estratégicos para possibilitar a atração de empresas e de criar uma “via verde” ao investimento. Em simultâneo, quero transformar Miranda numa referência nacional no apoio à inovação.

 

[CP]: Que papel atribui ao associativismo na nova dinâmica que quer dar ao concelho?

[JMRF]: Em Miranda do Corvo, nasceu a primeira Casa do Gaiato do país, talvez por isso tenhamos uma génese comunitária tão vincada. Temos grandes exemplos no associativismo: uma das melhores corporações de Bombeiros do país, a Casa do Povo e o Grupo Desportivo dos Moinhos, que fazem um trabalho notável apesar das condições abaixo do desejável, a Associação Abutrica, a ADCRF de Semide e tantos vários outros bons exemplos na área do desporto, da cultura, da gastronomia e da solidariedade social. Por fim, destaco as imensas associações de lugares que preservam a nossa cultura e identidade em todo o concelho. Temos propostas claras para reforçar o papel destas organizações, valorizando-as, reforçando as suas condições e motivando-as a desempenhar um papel ainda mais central na nossa comunidade.