O executivo de direita prometeu 112 medidas para mudar a cidade. Não cumpriu e agora alega que precisa de 8 anos, como se os mandatos do povo se transformassem em poder vitalício, talvez saudosista do regime da ditadura, que muitos não conheceram e outros querem arredar da história.
Rejeitou mais de 200 medidas propostas pela oposição socialista, manifestando colaboração com o interesse da cidade e do concelho, mas que esbarrou com a arrogância, a petulância e a sobranceria do executivo da situação, que julga saber tudo, nada aceita do que provêm de pessoas habilitadas e se vangloria orgulhosamente só.
Coimbra não mudou. Os cidadãos têm os mesmos problemas na saúde, na habitação e nos transportes, como sistematicamente alertámos, e nem sequer o executivo neófito aproveitou a delegação de competências e a regionalização promovida pelo governo socialista.
O executivo da situação andou às aranhas com o abate de árvores, mudando ao sabor dos protestos quantas vezes justificados, acusando a Metro Mondego quando lhe convinha por via das obras aos solavancos, e assumindo a plantação de árvores recém-nascidas que demoram um século a produzir o que já existe, rejeitando ainda o Plano Municipal de Combate às Alterações Climáticas aprovado em Assembleia Municipal, e criando no final do mandato um novo “Plano” cujo resultado foi zero.
Fazer um balanço do mandato da direita é identificar uma postura que diz que muda mas não muda, que diz que faz obra mas não é sua, que proclama empregos que a estatística rejeita, que hostiliza a Universidade afrontando-a, que ignora empresários a quem dá prémios mas não recebe em tempo para fazer obra, que se serve do património histórico comum, dos estudantes prestigiados pelo mundo, do tecido produtivo esforçado como se fossem seus.
A direita, que diz construir Coimbra (onde, cidadãos?), queixa-se do IMI baixo, benéfico para a população, aprovado pelos socialistas, e que não lhe deixará investir, mas investir em quê (não diz) e à custa de quem (os cidadãos obviamente)?
Projectos no papel
Anuncia grandes projectos que não passam do papel (Centro de Arte Contemporânea da Sofia à Manutenção Militar, Plano Geral de Drenagem das Águas Residuais substituído por obras pontuais), ignora o Choupal e a Lapa, anuncia a Via Central projectada pelos socialistas como se fosse sua propriedade, dando um nome à avenida.
Inauguram-se recantos aqui e ali como se fossem obras monumentais, apresentam-se números deturpados e mistificados em acção social, economia e reestruturação municipal, com outorga de património a serventuários (Casa da Escrita), o velho Hospital Pediátrico bloqueado na mesma ao fim de 4 anos, o Museu dos Transportes sem recriação, o Convento de S. Francisco sem programador (é agora, à beira das eleições!), e muito mais cuja propaganda falaciosa não dará frutos, esperamos.
Para cúmulo, no Verão Quente e temperaturas escaldantes, compra ventoinhas para os Centros de Saúde, que são prejudiciais à saúde, num ambiente sobreaquecido, vacinas a estragarem-se, mais de 30 graus nos gabinetes, amianto sem resposta, retorno dos ratos (considerado “natural”, pasme-se…). E há MetroBus à borla pré-eleitoral, entretanto, há um espaço desportivo em aterro em Santa Clara sem nenhuma árvore e um complexo desportivo no Vale das Flores sem inauguração (foi obra socialista).
Coimbra precisa de mudança (finalmente), com seriedade exemplar, capacidade de execução, proximidade junto da população, conhecimento do concelho não só para tainadas, competência baseada na experiência. Precisa de Ana Abrunhosa, e de uma política que, além dos independentes, junte as forças políticas lideradas por socialistas, para um abraço à população e o serviço aos cidadãos.
(*) Médico e vereador da Câmara de Coimbra