A Praça 8 de Maio, na Figueira da Foz, foi no domingo palco da habitual cerimónia de homenagem a Manuel Fernandes Tomás, o “Patriarca da Liberdade”.
Nesta sessão marcaram presença o presidente da Câmara da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes; todos os vereadores executivos; o presidente da Assembleia Municipal, José Duarte Pereira; o presidente da Associação Manuel Fernandes Tomás, Fernando Cardoso; em representação do presidente da Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto, António Ambrósio, e em representação do Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa – o Grão-Mestre adjunto, Francisco Paz.
A abrir a cerimónia, um momento musical, com o Coral David de Sousa, dirigido pelo maestro Vítor Ferreira, acompanhado por um trio de metais constituído por três músicos figueirenses (Rúben Gonçalves, no trompete; Daniel Cachulo, no trombone e Valter Cristino, na tuba), que interpretou o “Hymno da Revolução de 1820”.
Após a deposição da coroa de flores na campa de Manuel Fernandes Tomás, observou-se um minuto de silêncio em sua memória, tendo-se seguido as intervenções do Grão-Mestre adjunto do Grande Oriente Lusitano, que frisou que o homenageado “foi um homem de grande lucidez, integridade e firmeza, uma alma nobre”, “um dos mais ilustres e vigorosos regeneradores da Pátria, também ele maçon, e cuja atividade em defesa de uma sociedade mais justa e democrática continua a ressonar até aos dias de hoje”.
Já António Ambrósio, da Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto, destacou o “espírito resiliente” de Fernandes Tomás, alguém que “acreditava na liberdade, na justiça e no futuro de um País mais justo” e que “não se deixou vencer nem pelo medo, nem pela resignação e soube olhar para além do presente e imaginar um amanhã melhor”,
“Fernandes Tomás não foi apenas um político, foi um visionário, um homem que viu na educação e no pensamento crítico as ferramentas fundamentais para a emancipação de um país. A sua coragem foi exemplo para os seus contemporâneos e continua a ser um exemplo para todos nós”., disse ainda António Ambrósio.
Fernando Cardoso, presidente da Associação Manuel Fernandes Tomás, salientou a “a identidade da cidade liberal que a Figueira da Foz tem”. O mesmo abordou, na sua intervenção, vários episódios da vida do homenageado, bem como do já longo período pós-morte do mesmo e os factos que levam a que lhe seja prestada esta homenagem.
Já o presidente da Câmara, Pedro Santana Lopes, lembrou a situação que o Mundo e o País atravessa e referiu que “todos temos a noção de que honrar a liberdade, hoje em dia, é ter sempre presente o valor da palavra regra”.
Para Pedro Santana Lopes “a liberdade sem regra não faz sentido, deixa de o ser, transforma-se em caos, transforma-se em anarquia. Normal e infelizmente, transforma-se em ditadura, em qualquer espécie de regime autoritário”.
“Ter coragem é ter a força de contrariar aquilo que hoje em dia, por vezes, superficialmente, se convenciona considerar coragem. É andar exactamente ao contrário daquilo que são os sentidos, por vezes, dos ventos dominantes”, frisou o autarca que referiu que “Manuel Fernandes Tomás fê-lo nos diferentes domínios da em que interveio, ele demonstrou como é bonita a vida, como é insubstituível o sentido da vida em que lutamos por princípios e por valores e somos fiéis a eles”.