Coimbra  15 de Março de 2026 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Pescadores da Figueira da Foz mobilizam-se para ajudar a comprar meio aéreo

19 de Agosto 2025 Jornal Campeão: Pescadores da Figueira da Foz mobilizam-se para ajudar a comprar meio aéreo

Os pescadores da Figueira da Foz vão doar uma percentagem da venda das suas safras para ajudar a financiar a aquisição de um meio aéreo destinado ao combate aos incêndios rurais, revelou o armador de pesca de cerco António Lé.

“Estamos sempre disponíveis para ajudar, dispensando ajuda, e, neste contexto generalizado, nós abdicamos de parte daquilo que é a receita das nossas casas, abdicamos de parte do nosso pão, para tentar confortar aqueles que tanto estão a sofrer nesta altura. Se o país carece de meios aéreos, há muito tempo que já se devia ter pensado nisso e isto não é uma crítica: é um apelo”, sublinhou.

O antigo presidente da cooperativa de produtores Centro Litoral explicou que o objectivo passa por adquirir um meio aéreo novo e não em segunda mão, defendendo que “a vida humana e os prejuízos causados a todos os populares não têm preço”.

A mobilização teve início na segunda-feira, dia em que os pescadores conseguiram juntar 1.200 euros. “Hoje vamos continuar a tirar e vamos continuar a tirar até à nossa exaustão. Porque o sofrimento não tem dimensão”, acrescentou António Lé.

Embora a iniciativa tenha nascido na Figueira da Foz, o apelo estende-se a todos os pescadores e à comunidade em geral. “Isto é um apelo que nós fazemos a toda a sociedade portuguesa, não é só aos pescadores, mas a todos os portugueses. Fazemos um apelo à população em geral, não só à comunidade figueirense, como à comunidade do distrito de Coimbra, da Guarda, do Porto, de Aveiro, do distrito de Lisboa. Aos portugueses na generalidade”, reforçou.

Segundo o armador, a ideia surgiu “de repente, com emoção, mas com racionalidade”, sendo agora necessário encontrar mecanismos que permitam gerir as contribuições. “As nossas receitas ficam cativas na Docapesca da Figueira da Foz, os outros meios encontraremos, com certeza, durante o dia de hoje, em que devemos ter uma reunião com alguém. Não queremos ficar responsáveis por esse dinheiro”, frisou.

Portugal continental tem sido fortemente afectado por incêndios rurais desde Julho, sobretudo nas regiões Norte e Centro, num contexto de temperaturas elevadas que levou à declaração da situação de alerta desde 2 de Agosto.

Os fogos provocaram duas mortes, incluindo a de um bombeiro, e vários feridos, na maioria sem gravidade. Foram ainda destruídas total ou parcialmente habitações, explorações agrícolas e pecuárias, além de vastas áreas florestais.

No âmbito do Mecanismo Europeu de Protecção Civil, chegaram entretanto a Portugal dois aviões Fire Boss para reforçar o combate às chamas.

De acordo com dados oficiais provisórios, até 19 de Agosto já arderam mais de 201 mil hectares em território continental, superando a área total ardida durante todo o ano de 2024.