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Obstetrícia em colapso na Maternidade Bissaya Barreto: FNAM exige acção urgente

8 de Agosto 2025 Jornal Campeão: Obstetrícia em colapso na Maternidade Bissaya Barreto: FNAM exige acção urgente

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) manifestou-se com profunda preocupação face à escusa de responsabilidade remetida por 16 médicos do Serviço de Urgência de Obstetrícia B da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, em funções na Maternidade Bissaya Barreto. Neste documento, os profissionais denunciam uma degradação inaceitável das condições de trabalho e uma deterioração significativa da qualidade dos cuidados prestados a grávidas, parturientes e puérperas na região.

Num contexto já marcado por carências estruturais e organizativas, o encerramento reiterado do Serviço de Urgência de Obstetrícia das ULS de Leiria e Aveiro, em vários dias da semana durante o Verão, sem que haja reforço das equipas médicas na ULS de Coimbra, tem provocado uma sobrecarga insustentável aos profissionais da Maternidade Bissaya Barreto. Esta situação compromete a segurança dos actos médicos e eleva o risco de erro clínico, com consequências potencialmente graves para mães e recém-nascidos.

Entre as graves denúncias apresentadas pelos médicos destacam-se:

  • Falta quase diária de vagas para internamento de grávidas de risco, parturientes e puérperas;
  • Transferências frequentes e desnecessárias entre os serviços de urgência de Obstetrícia na ULS de Coimbra, expondo as utentes a riscos clínicos acrescidos;
  • Encaminhamento quase exclusivo de utentes pela linha SNS 24 para o Serviço de Obstetrícia B, agravando a sobrecarga deste serviço;
  • Inscrição de utentes sem contacto prévio para verificação de vagas, resultando em atrasos e transferências;
  • Transporte de grávidas e puérperas pelo INEM para o Serviço de Obstetrícia B, frequentemente sem contacto prévio, em desconformidade com as orientações vigentes.

Face a esta situação, a FNAM enviou uma mensagem de apoio e solidariedade aos médicos afectados e remeteu uma carta ao Conselho de Administração da ULS de Coimbra, exigindo a comunicação urgente de medidas concretas e imediatas para resolver os problemas denunciados.

A Federação responsabiliza directamente o primeiro-ministro, Luís Montenegro, pela degradação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), cuja consequência mais grave é o risco real para a vida de mulheres e recém-nascidos em todo o país.