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Violência doméstica contra homens aumentou quase 50% em quatro anos, alerta APAV

6 de Agosto 2025 Jornal Campeão: Violência doméstica contra homens aumentou quase 50% em quatro anos, alerta APAV

A violência doméstica contra homens adultos em Portugal registou um crescimento alarmante de 48,2% entre 2021 e 2024, segundo o mais recente relatório da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). No total, 3.671 homens recorreram ao apoio da associação neste período, revelando uma realidade ainda marcada pelo silêncio e pela invisibilidade social.

Os dados agora divulgados referem-se a processos de apoio desenvolvidos presencialmente, por telefone, e-mail e plataformas digitais, permitindo traçar um retrato detalhado das vítimas e das circunstâncias em que os abusos ocorrem. O relatório evidencia um perfil particularmente vulnerável: um em cada quatro homens (25,4%) tinha 65 ou mais anos, uma faixa etária que levanta sérias preocupações quanto à capacidade de resposta e protecção.

A esmagadora maioria das vítimas é de nacionalidade portuguesa (84,9%), sendo o distrito de Faro aquele que concentra o maior número de casos registados (22,9%; 841 vítimas), seguido de Lisboa (19,1%; 692) e Porto (13,7%; 502).

O padrão de vitimação revela-se prolongado e silencioso: mais de 54% dos homens sofreram violência continuada e cerca de 30% demoraram entre dois a seis anos a procurar ajuda. Em 61,3% dos casos, a violência foi infligida na própria residência partilhada com o agresso.

Apesar da gravidade, apenas 48,7% das vítimas (1.789) avançaram com queixa formal. Quase 41% (1.490) optaram por não denunciar a agressão, o que evidencia o estigma social ainda associado à masculinidade e ao preconceito face ao papel da vítima.

O relatório dá ainda conta do perfil das pessoas agressoras: na maioria dos casos, trata-se de mulheres (52,9%) com idades entre os 36 e os 55 anos (27,3%). Em 20,7% das situações, as agressoras eram cônjuges das vítimas. Um dado particularmente inquietante é a violência exercida por filhos/as contra os pais, que representa 12,9% dos casos (479), uma expressão grave de violência intergeracional, com especial impacto entre os mais velhos.

Perante estes números, a APAV reitera a urgência de reconhecer que a violência doméstica contra homens é real, grave e requer respostas ajustadas e eficazes. A associação sublinha que está disponível para prestar apoio gratuito, confidencial e especializado a todas as vítimas de crime, reforçando que ninguém deve enfrentar o sofrimento em silêncio.

A Linha de Apoio à Vítima – 116 006 está disponível de segunda a sexta-feira, entre as 8h00 e as 23h00. O serviço é gratuito e assegura confidencialidade total.