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Campanha “O Cancro do Pulmão Não Tira Férias” alerta para lacunas na literacia em saúde

31 de Julho 2025 Jornal Campeão: Campanha “O Cancro do Pulmão Não Tira Férias” alerta para lacunas na literacia em saúde

Um novo estudo nacional vem revelar um dado preocupante: mais de metade dos portugueses (52,7%) conhece alguém diagnosticado com cancro do pulmão, sendo que, em mais de metade desses casos (54,7%), se trata de familiares ou amigos próximos. No entanto, apesar desta relação directa com a doença, mais de 80% dos inquiridos considera que falta informação sobre sinais, sintomas e programas de rastreio.

Estas conclusões constam no estudo “O Cancro do Pulmão em Portugal – A Visão dos Portugueses”, desenvolvido pela Spirituc – Investigação Aplicada, com o apoio da AstraZeneca. Os dados foram divulgados no âmbito da 5.ª edição da campanha nacional “O Cancro do Pulmão Não Tira Férias”, que assinala o Dia Mundial do Cancro do Pulmão, a 1 de Agosto.

O estudo expõe um paradoxo preocupante: apesar da elevada proximidade com a doença, os níveis de literacia em saúde permanecem baixos. Cerca de metade dos inquiridos não tem conhecimento da existência de programas de rastreio nem reconhece os principais sinais de alerta da doença.

Este desconhecimento é especialmente inquietante à luz da gravidade dos dados epidemiológicos. Em Portugal, o cancro do pulmão foi responsável, só em 2022, por 6.155 novos casos e 5.077 mortes, sendo o tipo de cancro mais letal. A nível mundial, o número ascende a 2,4 milhões de casos e 1,8 milhões de mortes, segundo dados do Globocan.

“Estes dados são um alerta claro: muitas pessoas têm contacto directo com a doença e, ao mesmo tempo, desconhecem ferramentas vitais como os programas de rastreio. A prevenção e o diagnóstico precoce são pilares fundamentais para aumentar as hipóteses de tratamento e remissão”, sublinha Isabel Magalhães, presidente da Pulmonale, associação parceira da campanha.

A iniciativa “O Cancro do Pulmão Não Tira Férias” aposta na sensibilização durante o Verão, período em que 67% dos portugueses afirma aproveitar para realizar check-ups de saúde. A mensagem é clara: o Verão é uma oportunidade para parar, escutar o corpo e agir a tempo.

Apesar de 59% dos inquiridos reconhecerem o cancro do pulmão como mais agressivo e mortal que outros tipos de cancro, a percepção da sua gravidade não se traduz, ainda, em conhecimento efectivo. Quase 9 em cada 10 portugueses (85,2%) acredita que deveria existir mais informação sobre esta doença.

Os factores de risco são relativamente bem identificados: quase 90% dos inquiridos aponta o tabagismo como principal causa, seguido da poluição ambiental (73,9%) e do contacto com substâncias químicas (67,4%). Ainda assim, especialistas lembram que também os não fumadores podem ser afectados, devido ao fumo passivo, exposição ao radão, amianto ou factores genéticos.

“Em primeiro lugar, importa perceber quais são os factores de risco e o que podemos fazer para evitar o aparecimento de cancro do pulmão. A prioridade máxima tem de ser impedir o desenvolvimento da doença”, alerta Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF).

A campanha deste ano reforça também a importância de reconhecer os sintomas: tosse persistente, dor torácica, falta de ar, rouquidão, perda de peso inexplicada, fadiga extrema ou infecções respiratórias recorrentes como bronquites ou pneumonias devem motivar uma avaliação médica.

Com 64,5% da população a antecipar um aumento de casos nos próximos cinco anos, o reforço da prevenção e do diagnóstico precoce assume-se como prioridade. A campanha promovida pela AstraZeneca, com o apoio de parceiros institucionais como a Pulmonale, Careca Power, Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), Associação Nacional das Farmácias (ANF), APMGF, GRESP e Rede Expressos, aposta em acções de sensibilização em espaços públicos e de elevada visibilidade.

“É fundamental que toda a população compreenda que o cancro do pulmão, apesar de agressivo, tem terapêuticas inovadoras e maior hipótese de sobrevivência com qualidade de vida, quando diagnosticado precocemente. Os resultados deste estudo são um alerta e um apelo à acção colectiva”, conclui Isabel Magalhães.