A Metro Mondego foi obrigada a recorrer a três empresas distintas para assegurar a continuidade dos transportes alternativos ao Ramal da Lousã até ao início da operação do designado MetroBus.
O derrapar da empreitada do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), que atrasou o arranque da operação entre Serpins (Lousã) e Portagem (Coimbra) prevista para este Verão, levou a Metro Mondego a avançar com novo contrato para os transportes alternativos ao Ramal da Lousã, disse a empresa responsável pela futura operação do MetroBus.
A ETAC, do grupo Transdev, tinha contrato para assegurar o serviço rodoviário (por 890 mil euros mais IVA) no primeiro semestre, mostrando-se indisponível para continuar o transporte alternativo para lá de 31 de Julho, data em que também arranca o novo serviço de transporte intermunicipal, ganho pela Busway, do grupo israelita Affifi (a Transdev chegou a contestar o concurso).
Nesse sentido, a partir de 1 de Agosto, os transportes alternativos serão assegurados com recurso a três empresas, refere a Metro Mondego. “Tratando-se de um período particularmente difícil para a contratação deste tipo de serviços, devido à curta duração do contrato e à época do ano, a Metro Mondego viu-se obrigada a recorrer a várias empresas para garantir a continuidade do transporte, colocando em operação autocarros com imagem distinta, nomeadamente da Busway, Vale do Ave [que assegura também o transbordo entre as estações ferroviárias Coimbra-B e Coimbra-A] e Guimabus”, esclareceu.
Apesar das mudanças e da necessidade de recorrer a três empresas distintas, não haverá quaisquer alterações em relação aos títulos de transporte, tarifário e horários deste serviço, assegurado desde o fim do Ramal da Lousã, há 15 anos.
De acordo com fonte oficial da Metro Mondego, em Maio, quando ficou conhecido que a operação do SMM não poderia arrancar a 1 de julho, a entidade desenvolveu “todos os esforços para assegurar a continuidade dos serviços alternativos”.
Os contratos são de três meses, perspectivando-se desta forma que a operação do SMM entre Serpins e a Portagem possa arrancar a 1 de Novembro.
Questionada sobre os custos destes contratos por ajuste directo, fonte oficial recusou-se a avançar com valores, enquanto os procedimentos ainda estejam a decorrer, salientando que, posteriormente, os contratos serão publicados no portal de contratação pública.
Desde o fecho do Ramal da Lousã para dar origem a um projecto de metro de superfície que ficou parado e depois substituído por autocarros eléctricos articulados, a Metro Mondego já suportou cerca de 14 milhões de euros com estes serviços alternativos.
Em Abril de 2024, contratava-se aquele que se esperava ser o último contrato de transporte rodoviário alternativo (também à ETAC), com a Metro Mondego a dizer, na altura, que não estava a trabalhar com qualquer cenário de prolongamento do contrato.
Posteriormente, fez novo contrato com a ETAC em Janeiro deste ano, na altura também com a expectativa de que o MetroBus pudesse arrancar no final do primeiro semestre, o que acabou por não se concretizar.