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Choupal é prioridade da candidatura do Bloco de Esquerda à Câmara de Coimbra

24 de Julho 2025 Jornal Campeão: Choupal é prioridade da candidatura do Bloco de Esquerda à Câmara de Coimbra

Rui Calado, Maria Paixão e José Manuel Pureza

José Manuel Pureza, candidato do Bloco de Esquerda (BE) à presidência da Câmara de Coimbra nas próximas autárquicas, avança com a primeira medida que os futuros eleitos irão apresentar: “a realização de um referendo local sobre a nova ponte rodoviária que irá atravessar o Choupal e o rio Mondego, prevista no Plano de Pormenor da nova Estação de Coimbra”,

Foi precisamente junto à entrada da Mata Nacional do Choupal, ao final da tarde de quarta-feira, que José Manuel Pureza apresentou o programa eleitoral do BE, sob o lema “Coimbra: mudar mesmo.”, um documento que define quatro pólos de reconfiguração da cidade e do concelho: uma Coimbra habitável, justa, viva e democrática.

O ponto de partida é mesmo a defesa do Choupal, com o principal candidato, Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e que como deputado já foi vice-presidente da Assembleia da República, a sustentar que “não vale dizer que a construção da ponte rodoviária é inevitável”. “É bem sabido que há alternativas, são várias, estão identificadas e têm sido objecto de debate”, afirma José Manuel Pureza, recordando que a própria vereadora com o pelouro do urbanismo do actual executivo camarário, enquanto académica, apresentou “alternativas à construção de tal ponte”. “Por isso, a nossa proposta de um referendo e de defesa do Choupal é uma proposta séria e não é um gesto sem chão”, justifica.

A posição foi secundada pelo número dois da lista do Bloco de Esquerda à Assembleia Municipal, Rui Calado, que considerou a proposta de construção de uma ponte rodoviária no meio do Choupal “um erro”, que tem impactos naquela Mata Nacional, deixando um repto às restantes forças políticas para se juntarem “a esta causa”. Neste sentido, o BE propõe, ainda, que o Plano de Pormenor, que está em elaboração, fique suspenso até que se realize o referendo, proposta que será apresentada aos órgãos municipais.

O programa autárquico do BE para Coimbra prevê, entre outras propostas, uma obrigatoriedade de novos empreendimentos habitacionais reservarem 25% da construção para habitação a custos controlados, a criação de uma sala de consumo assistido, cláusulas anti-precariedade nos cadernos de encargos de concursos públicos lançados pela autarquia e um balcão único de atendimento a migrantes – deu a conhecer José Manuel Pureza.

Ao longo do programa, o Bloco de Esquerda faz uma avaliação muito crítica de “décadas de alternância entre PS e PSD no governo municipal”, responsabilizando esse “rotativismo ao centro” por ter tornado Coimbra num “parque temático para turistas” e adoptado “um modelo de desenvolvimento assente na especulação imobiliária”.

O Bloco propõe-se romper com esta trajectória do que chama “uma alternância sem alternativa” e aponta práticas seguidas por cidades europeias – na habitação, na mobilidade, no ambiente, na saúde, na resposta às alterações climáticas, no cuidado com os mais velhos, nos direitos das pessoas com deficiência ou na cultura e no património – como prova de que mudar mesmo “não é uma utopia”.

O candidato recordou que há cerca de 11 mil casas devolutas no concelho de Coimbra -“um número escandaloso” -, considerando que há mecanismos no plano municipal para dar resposta à crise de habitação. A conversão de edifícios públicos não utilizados para habitação é uma das propostas, notou José Manuel Pureza, entendendo que a Câmara de Coimbra pode também avançar com uma “grande operação de reabilitação urbana na Baixa”.

A mobilidade é também uma das preocupações, com o BE a defender a oferta de uma rede de transportes públicos gratuitos, a reestruturação da rede dos SMTUC, tendo em atenção todo o concelho e a interligação com o MetroBus.

Além de José Manuel Pureza, são candidatos à Câmara o actual presidente José Manuel Silva, pela coligação Juntos Somos Coimbra (PSD/CDS-PP/IL/NC/PPM/V/MPT), Ana Abrunhosa, pela Avançar Coimbra (PS, Cidadãos por Coimbra, Livre e PAN), o vereador Francisco Queirós, pela CDU, Maria Lencastre Portugal, pelo Chega, e Sancho Antunes, pelo ADN.