Já em campanha eleitoral, o executivo de Coimbra confunde a sua função institucional com a promoção de eventos fora de época, faz propaganda do que terá feito e fará em 8 anos quando a lei estabelece mandatos de 4 anos, e utiliza recursos institucionais para fazer o balanço do 4.º ano de mandato.
Afinal, cumpriu 13,3%, cumpriu parcialmente 21,4% e não cumpriu 65,1% (e vão 4 anos sem resolver o problema dos motoristas dos SMTUC – promessa quando estavam na oposição e não tinham um governo da sua cor), para além de ter ignorado cerca de 300 propostas das Oposição democrática.
Destacamos exemplos do que tornaria Coimbra Progressista (apoio aos sem abrigo – que continuam a aumentar, combate à mendicidade – que não foi feito, directrizes para apoio à sociedade civil – ignorou, higiene urbana – cada vez pior, apoio às freguesias – cada vez mais discriminação, etc.).
Tornaria Coimbra Sustentável (com a centralidade do Mondego – novo desassoreamento, fixação e reabilitação das margens, canal arbóreo da Portela, requalificação do Rebolim, extensão do Parque Verde, reabilitação do Choupal e da Lapa, etc.).
E promoveria a Aliança Metropolitana de Coimbra e Região (com alargamento progressivo da rede Metro, captação de estudantes criando atracção e inovação, habitação estudantil, reforço da AAC e nova mobilidade nos Pólos 1 e 2, etc.).
Ou seja, nem cumpriu o seu programa, nem aceitou as ideias que a Oposição lhe ofertou, para benefício dos cidadãos.
Tenho de qualificar comportamentos que são lesivos do bom nome da autarquia de Coimbra e dos cidadãos respeitadores da lei, cumpridores das suas obrigações, e elegantes nas suas apreciações.
Acusar o Tribunal de Contas de desconhecer o mundo real e de fazer comentários abusivos de matérias em que não teria os devidos conhecimentos (a autarquia não assegurou a defesa do erário público na compra de um terreno para a construção de um guetto de habitação social em Taveiro), é uma quebra de lealdade institucional, desconsideração e desrespeito de um Tribunal em regime democrático, atitude de sobranceria perante uma entidade e pessoas habilitadas e quiçá é ultrapassagem do uso da liberdade de expressão.
Não fazer ou complicar
Fomentar conflitos com a Universidade de Coimbra, cujo Reitor afirmou que a autarquia impediu que algumas obras importantes avançassem (projectos para o Estádio Universitário, construção de novo edifício para a Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC, construção de residência de estudantes destinada a atletas de alto rendimento), é uma quebra da boa articulação entre as mais importantes instituições da cidade, é uma falta de diálogo que deve presidir entre quem deve defender o interesse público, é uma atitude de isolamento, de confronto, de falta de sentido de Estado, que lamentamos, constrangidos.
Afinal, neste caso, ser presidente da Câmara não é fazer obra, é não fazer ou complicar obra, não é ser gestor de conflitos, é ser promotor de conflitos.
Tem vindo este executivo a proclamar a mais-valia do seu desempenho, através do aumento da população e da criação de emprego em Coimbra. Afinal, a população residente aumentou 1% em 2024 em Portugal (não foi só em Coimbra…), já há quase 2 idosos para cada jovem, a natalidade baixou 1,2% e agravaram-se os índices de sustentabilidade e envelhecimento. Talvez assim o executivo de Coimbra compreenda os fluxos migratórios e o governo compreenda o absurdo das alterações à lei da nacionalidade.
Afinal, o desemprego aumentou em 2024 em Coimbra, devido ao crescimento do n.º de estrangeiros, segundo o Centro de Emprego e Formação de Coimbra. Em 2025, há uma tendência decrescente, não por mérito da autarquia, mas pelas políticas de emprego e formação do IEFP, com medidas de apoio à contratação.
E, já agora, a autarquia aumentou o tempo que demora a pagar aos seus fornecedores, em 2024, segundo o Conselho das Finanças Públicas. O prazo médio de pagamentos era de 30 a 60 dias em 2023, passou para 60 a 90 dias em 2024. É isto boa gestão?
(*) Médico e vereador do PS na Câmara de Coimbra