É sabido que, nas eleições autárquicas, os partidos políticos perdem alguma da sua influência, em favor do perfil dos candidatos.
Apesar disso, tal como nas legislativas, muitos eleitores prescindem do seu direito de livre escolha e entregam incondicionalmente o seu voto, sempre ao mesmo partido, sejam quem forem os candidatos. É um voto clubístico, isto é, o que interessa é que o clube ganhe, nem que seja com os favores do árbitro, ainda que essa possa não ser a melhor opção, para o concelho em que vivem. O que acabo de dizer, acontece por todo o país, mas a mim o que interessa é Condeixa.
Por cá, o vencedor sairá de uma das três principais candidaturas, de entre as já conhecidas e é precisamente, o tipo de campanha que têm desenvolvido, que me desagrada. O que se tem visto, são trocas de “beijos e abraços” entre elementos do mesmo grupo, competindo todos os candidatos nos mesmos terrenos, que são os eventos festivos nas freguesias e as redes sociais. Procuram atrair os votos populares, em concursos de simpatia. Aceito que tal possa causar alguma dinâmica, convidando ao voto, o que é de louvar. Mas também temo que, esgotando-se nesse tipo de ações, acabem causando uma reação negativa, com as pessoas a pensar que “são todos iguais”. Não me parece possível manter toda essa animação até Outubro mas, o que podemos assegurar, é que toda essa festa se esgotará, no dia das eleições. O que eu gostaria de saber agora e certamente muitos condeixenses também, é o que é que cada candidato, se propõe fazer, para resolver os graves problemas que vai herdar, da ineficaz gestão da actual equipa camarária.
Ainda que tal já devesse ter acontecido, ainda é tempo de conhecermos os programas de ação com que os candidatos se comprometem, identificando os problemas, explicando como os vão resolver, em que prazos e com que verbas. Esta sim, é uma forma honesta de fazer política. Se não o fizerem, menorizam os eleitores, não os achando capazes de decidir o seu voto, com base nas soluções que propõem e nas suas capacidades de as concretizar.
Poderia abrir-se assim uma discussão pública sobre os reais problemas do concelho que, decorrendo com elevação, faria de Condeixa, um exemplo para todo o país.