Coimbra  15 de Março de 2026 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Hernâni Caniço

António José Seguro

11 de Julho 2025

As eleições autárquicas são o próximo momento político de maior importância para o País e para os cidadãos, dado o poder local ser a maior conquista da democracia, porque aproxima os eleitores dos gestores dos seus problemas, que os afectam directamente e cuja solução lhes poderá trazer qualidade de vida.

A melhor maneira de relevar as eleições autárquicas é definir os candidatos às eleições presidenciais, que se realizarão cerca de 3 meses depois, e as forças políticas indicarem o candidato da sua preferência, por razões ideológicas conexas, objectivos comuns para a sociedade ou afinidade que garanta o normal funcionamento das instituições, numa magistratura de influência que não se confunda com o passado.

Por isso, entendo que o Partido Socialista deve sugerir o mais breve possível o apoio a um candidato da sua área política, que garanta valores e princípios respeitadores do regime democrático, constitucional e solidário, e concentrar depois todos os esforços na preparação, divulgação e razões programáticas autárquicas, seja das suas candidaturas, isoladas ou unitárias, seja dos candidatos e seus méritos que traduzam confiança aos eleitores.

Quando António José Seguro se candidatou a secretário-geral do Partido Socialista, eu disse publicamente que não era o meu ídolo (os meus ídolos, muitos, são todos os que sofrem), mas que era a pessoa melhor colocada para exercer o cargo como socialista moderado e, portanto, o apoiava.

Posteriormente, na sequência de uma vitória eleitoral “por poucochinho”, desencadearam-se eleições internas abertas à comunidade, que levaram à sua substituição por António Costa. Esclareço, também, que na ocasião votei Seguro, não por retirar méritos a Costa, mas por considerar a candidatura de Costa uma jogada pouco digna de uma sociedade justa e de um partido democrático, num tacticismo pessoal e sem estratégia política social. Costa ganhou as eleições internas e perdeu as legislativas por poucochinho. Idiossincrasias….

 

O único à esquerda

 

Seguro perdeu internamente. E o que fez a seguir? Não andou a envenenar o partido nem o vencedor, não se pronunciou sobre a política durante 10 anos (será pecado?), tratou da sua vida pessoal e familiar, trabalhando como empresário privado, sem ocupação de cargos políticos nem ataques a pessoas que perfilham o ideário socialista (será crime?).

Surge agora, bem preparado e actualizado politicamente (como se vê no espaço público mediático), como o único candidato à Presidência da República à esquerda, impoluto e humanista, não renegando as suas origens, mas abrindo-se às vicissitudes do momento político que varreu a esquerda a que ele pertence.

O Partido Socialista continua a não tomar a decisão política de apoio a um candidato da sua área, o que contribui para desvalorizar o candidato socialista e diminuir um eventual outro candidato, qual D. Sebastião o desejado (a monarquia já acabou), que poderá marcar presença, mas derrotado à partida.

António Costa (e muitos outros membros do Partido Socialista), sabe-se lá porquê, apoiaram Marcelo Rebelo de Sousa, homem de direita desde o regime da ditadura fascista, e não caiu o Carmo nem a Trindade. Agora, parece penoso ao PS apoiar um militante socialista (o que se estranha e não se entranha), que está a dedicar-se de novo à causa pública, sem ter usufruído de benesses de ex-político.

Por tudo isto, continuo a não ter ídolos (excepto os doentes), mas apoio António José Seguro como candidato socialista a Presidente da República. E pronto, vamos às eleições autárquicas!

(*) Médico e vereador do PS na Câmara de Coimbra