A localização geográfica de Condeixa foi sempre o seu maior activo na competição com outros municípios. Situado no centro do país, a 12 km de Coimbra, perto do porto da Figueira da Foz, servido por uma ampla rede viária, que inclui o acesso directo a duas auto-estradas (A1 e A13), a dois itinerários complementares (IC1 e IC3) e, consequentemente, aos dois principais aeroportos nacionais (Lisboa e Porto), o município de Condeixa reúne, como nenhum outro no distrito de Coimbra, condições para a atracção de investimento empresarial, tanto nacional como estrangeiro.
Portugal é actualmente considerado um dos países europeus mais atractivos para o investimento estrangeiro que, segundo o Banco de Portugal, em 2024 atingiu 23,2 mil milhões de euros, mais 19 % do que no ano anterior. Os factores que mais contribuem para essa atractividade são, como é sabido, a estabilidade política, um sistema jurídico transparente, as políticas fiscais, a simplificação administrativa, as infra-estruturas de transportes e comunicações e a segurança.
Segundo um estudo da “EY Atractiveness Survey Portugal”, 84% dos investidores inquiridos afirmaram ter planos para estabelecer ou expandir operações em Portugal em 2025 e 77% antecipam uma melhoria da atractividade do país, para o investimento estrangeiro. EUA, França e Alemanha foram os países que mais investiram em Portugal, em 2023, tendo sido o Centro do país a segunda região mais atractiva, logo depois de Lisboa e Vale do Tejo.
Também no que diz respeito aos apoios comunitários ao investimento se atravessa um tempo muito favorável. Entre outros, o programa PORTUGAL 2030, nomeadamente através do COMPETE 2030, apoia a inovação e o desenvolvimento industrial, incluindo os projectos para a criação ou expansão de parques industriais.
É de crer que, com as incertezas causadas pelos conflitos em várias partes do globo e a necessidade de rearmamento da europa, no futuro próximo, se verifique uma apreciável redução nos programas europeus de apoio à industrialização.
Aproveitar a conjuntura favorável, em termos da atractividade do país e dos programas europeus de apoio, deveria ser pois um imperativo para a autarquia condeixense.
É o que têm feito, algumas autarquias vizinhas, como tem sido o caso de Pombal e, principalmente, Cantanhede.
O município de Pombal possui actualmente 3 parques industriais, com a área total de 100,9 ha e 79 lotes industriais. Para a ampliação de um deles, o da Guia, recebeu do programa Centro 2030, 1,9 milhões de euros.
Cantanhede, que não se equivale a Condeixa, em termos de acessibilidades, possui também 3 parques industriais, com a incrível área total de 14.900 ha. No principal parque, foi recentemente inaugurada uma nova fábrica do grupo MAPEI, num lote de 26.500 m2 e com uma superfície coberta de 12.000 m2. O investimento de 13 milhões de euros criou, de imediato, 100 novos postos de trabalho e continua a recrutar. Nas instalações fabris existe um departamento da MAPEI ACADEMY, para formação profissional. A MAPEI é líder mundial na produção de produtos químicos para a construção, com uma facturação anual de 4,2 mil milhões de euros.
Em Condeixa, o parque industrial existente, está “encafuado” num local cujo acesso, pela estrada que liga o IC2 à Venda da Luísa, anulou em parte as vantagens das outras acessibilidades. Tem enormes dificuldades de ampliação, pelo que o único projecto que existe, só prevê uma ampliação em 7,57 ha, com a criação de 8 pequenos lotes, para uma zona do parque, cujo acesso é ainda mais difícil. Após ampliação, o Parque Industrial de Condeixa, ficará com uma área total de 63,53 ha (4,3 % da área disponível em Cantanhede).
Justifica-se pois, a criação de um novo Parque Industrial em Condeixa. E é agora, ou nunca.
A inoperância do actual executivo camarário, sem qualquer visão de futuro, ao não aproveitar o momento muito favorável da atractividade do país e dos fundos comunitários disponíveis, pode ter definitivamente comprometido o nosso futuro.
Quanto às candidaturas conhecidas à Câmara Municipal, o que se tem verificado é uma competição, tentando dar nas vistas junto às populações, principalmente em eventos e festas. Se bem que tal possa ser necessário, nomeadamente no apelo ao voto, também é verdade que, competindo no mesmo campo, as pessoas comecem a pensar que “são todos iguais”. Menorizam os condeixenses, não os achando capazes de distinguir entre programas de acção e das respectivas capacidades para os concretizar.
Essa é uma obrigação de quem se propõe presidir à câmara municipal: identificar os problemas e dizer aos munícipes o que fará para os resolver, com que fundos e em que prazo. Desde logo, PORQUE É ASSIM QUE DEVE SER