A Fundação Amélia de Mello (FAM), em parceria com a COTEC Portugal, atribuiu esta segunda-feira, dia 30 de Junho, a Bolsa Jorge de Mello – Indústria e Inovação ao investigador Jaime Santos, docente da Universidade de Coimbra, pelo desenvolvimento de uma tecnologia de vanguarda com forte aplicabilidade industrial e impacto económico no sector farmacêutico. O prémio, no valor de 150 mil euros, distingue projectos de investigação científica orientados para a inovação e com elevado potencial de transformação tecnológica.
A proposta premiada apresenta uma abordagem inédita para a optimização do controlo de qualidade de medicamentos injectáveis, substituindo processos laboratoriais morosos, dispendiosos e com elevada pegada ambiental por um sistema automatizado e mais sustentável. Designado AcousticPAT, o dispositivo recorre à tecnologia de ultrassons para monitorizar, em tempo real e sem necessidade de interrupção das linhas de produção, a qualidade dos produtos farmacêuticos durante o seu fabrico.
O desafio que deu origem ao projecto foi lançado pela BASINNOV LIFE SCIENCES, empresa que procurava uma solução eficaz e escalável para garantir a qualidade do produto final, reduzir desperdícios e optimizar custos operacionais. A tecnologia, cuja patente já foi submetida, revela ainda potencial de aplicação noutras indústrias reguladas, como a alimentar ou a cosmética, onde o controlo rigoroso da qualidade é igualmente vital.
A edição deste ano da Bolsa Jorge de Mello contou com a submissão de 66 candidaturas, das quais 55 foram consideradas elegíveis. Para além do projecto vencedor, o júri atribuiu duas menções honrosas e distinguiu ainda dois projectos finalistas, sublinhando a elevada qualidade das propostas apresentadas.
Na cerimónia de entrega, Manuel Alfredo de Mello, vice-presidente da FAM, manifestou grande satisfação com o número e qualidade das candidaturas:
“A adesão a esta edição da Bolsa Jorge de Mello – Indústria e Inovação superou largamente as nossas expectativas. Este nível de participação confirma a relevância da iniciativa e o dinamismo do ecossistema de inovação em Portugal. Acreditamos firmemente que a aproximação entre ciência e tecido empresarial pode verdadeiramente catalisar a transformação da indústria nacional.”
Também Jorge Portugal, director-geral da COTEC Portugal, destacou o papel desta bolsa como ponte entre a ciência e o mercado:
“A inovação com impacto económico e social nasce quando a investigação científica se inscreve no contexto real das empresas. Esta Bolsa incentiva a co-criação entre investigadores e empresas, onde novo conhecimento é transformado em soluções com elevado valor económico.”
A presidente do júri, Paula Alves, directora executiva do iBET e docente da Universidade NOVA, salientou a excelência científica das propostas submetidas:
“Foi uma responsabilidade exigente seleccionar entre candidaturas de elevado rigor científico. O projecto vencedor destacou-se não apenas pela inovação tecnológica, mas pela sua aplicabilidade concreta e potencial de escalabilidade.”
Instituída pela Fundação Amélia de Mello em articulação com a COTEC, a Bolsa Jorge de Mello – Indústria e Inovação visa incentivar a investigação aplicada em Portugal, promovendo a colaboração estreita entre universidades e empresas. Ao reconhecer iniciativas com potencial de impacto directo na competitividade económica nacional, esta bolsa homenageia o espírito visionário de Jorge de Mello, reforçando o papel do conhecimento científico como motor de desenvolvimento sustentável.