Bertília Simão é vogal da União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas e responsável pela organização da Feira Popular de Coimbra, uma das maiores feiras do género do país, que celebra este ano 75 anos de existência e decorre de 27 de junho a 13 de Julho. Recentemente, esteve na Rádio Regional do Centro e no jornal Campeão das Províncias para partilhar os pormenores das festividades e as novidades que a edição de 2025 reserva ao público. Nesta Entrevista, Bertília Simão revela tudo o que se vai passar, destacando a importância deste evento emblemático para a região e para os seus visitantes.
Campeão das Províncias [CP]: A Feira Popular celebra nesta edição, que decorre de 27 de Junho a 13 de Julho, 75 anos. Que novidades podemos encontrar?
Bertília Simão [BS]: Sim, no ano passado tivemos a oportunidade de descobrir um livro que documenta a primeira edição da Feira Popular de Coimbra, realizada em 1950.Este ano, para além de um programa diversificado, temos uma grande novidade que promete trazer uma animação radical e inovadora: um novo divertimento chamado King. Trata-se de uma atracção que proporciona uma volta de 360°, em cadeiras suspensas, oferecendo uma experiência intensa e única. Convido todos a visitarem e experimentarem, pois é um complemento que certamente acrescenta um toque de adrenalina e novidade à feira.
Além disso, vamos recuperar uma tradição que quase se tinha perdido: os jogos de convívio, como os matraquilhos, que permitem momentos de lazer e interacção entre grupos de amigos. Este espaço vai fomentar a animação, o convívio e a diversão de forma descontraída, recuperando o espírito popular que tanto caracteriza este evento.
Quanto ao cartaz cultural, esforçamo-nos sempre por trazer espectáculos que habitualmente não passam por Coimbra nem pela região. Este ano, temos o prazer de estrear em Coimbra “A Última Ceia”, o mais recente espectáculo de Carlos M. Cunha, que mistura elementos profanos e religiosos. A estreia será no dia 28 de Junho, pelas 22h00, alinhando-se com o horário habitual dos espectáculos na feira.
[CP] Para além daquela novidade que já falou o que vamos ter em termos de divertimentos?
[BS]: Este ano, a Feira Popular contará com uma oferta ainda mais diversificada e apelativa, especialmente para as famílias. Teremos mais carrinhos de choque, um clássico sempre muito procurado e o carrossel 8, que é um dos favoritos do público. Mantemos também a nossa emblemática roda gigante, que este ano é maior do que na edição anterior e já está montada para receber os visitantes.
Entre as atracções destacam-se ainda o “Canguro”, o “Canguru invertido”, também conhecido como Maxi Dance, que proporcionam momentos de diversão mais intensa. Temos ainda o “high energy” e os aviões, um carrossel familiar onde pais e filhos podem juntos controlar o voo dos seus pequenos aviõezinhos. Para os mais pequenos, existe uma vasta gama de opções: insufláveis gigantes, uma mini montanha-russa, piscina de bolas e elásticos, entre outros. A diversidade e a qualidade destas atracções fazem da Feira Popular de Coimbra uma das que apresenta a maior variedade a nível nacional, especialmente no que respeita a carrosséis e diversões para todas as idades.
[CP]: Há também toda uma panóplia de stands com muita e variada oferta.
[BS]: Na Feira Popular, os visitantes vão encontrar uma vasta oferta de artesanato, que vai desde objectos tradicionais, como velas artesanais, até colecções contemporâneas. Contamos com a presença de artesãos não só da região de Coimbra, mas de várias partes do país, o que atesta o crescente interesse e a procura por expor nesta feira. Temos cerca de 30 espaços dedicados ao artesanato, cuidadosamente seleccionados para garantir novidade e qualidade, evitando repetições.
No âmbito social, as associações da União de Freguesias marcam presença com as suas tradicionais rifas, que são uma importante fonte de financiamento para os seus planos de actividades. Estas associações participam de forma gratuita, aproveitando a feira para dar a conhecer os seus projectos e fortalecer a comunidade local.
Quanto à restauração, a variedade é igualmente ampla e de excelência. Desde a tradicional sardinha assada, que é destaque no arraial promovido pela junta, até pratos como entremeada, leitão, cachupa, asas de frango e enguias, a oferta gastronómica é cuidada e feita com muito amor e dedicação. As típicas farturas, crepes, pipocas, algodão doce e outras iguarias populares completam a experiência, fazendo jus ao espírito autêntico da Feira Popular.
Com centenas de pessoas envolvidas, desde os carrosséis até os expositores, a Feira Popular é também uma oportunidade para os visitantes aproveitarem Coimbra, conhecendo a cidade durante o dia e participando num evento que congrega tradição, convívio e cultura.
[CP]: Como avalia a presidência desta União de Freguesias por José Simão, o seu pai?
[BS]: O meu pai, José Simão, tem feito um trabalho incrível na Junta de Freguesia, com uma relação de proximidade com as pessoas que dificilmente será superada por quem vier a seguir. Ele está à frente da Freguesia há 24 anos, desde 2001, quando foi convidado a candidatar-se e aceitou, mesmo sem grandes expectativas. Nós, a família, sempre apoiámos muito esse percurso, desde as primeiras campanhas, em que ajudávamos a colar cartazes com as mãos cheias de feridas por causa da cola antiga.
Ao longo destes anos, o meu pai tornou-se uma figura fundamental na comunidade, especialmente em Santa Clara, onde conhece tudo e todos — desde as histórias até as pessoas que fizeram aquela freguesia ser o que é hoje. Esse conhecimento é um património incrível que ele transmite, e que é essencial para a gestão local.
Eu acabei por integrar a equipa dele porque, apesar de inicialmente estar afastada, senti que fazia sentido juntar-me ao trabalho que ele fazia. Formamos uma boa equipa, ainda que discutamos bastante — o que é natural, pois ele tem a experiência e o conhecimento profundo do território, enquanto eu trago uma visão mais jovem. Essa combinação de gerações faz com que a junta esteja sempre a crescer e a evoluir, nunca estagnando.
[CP]: Com toda a experiencia que já tem, vai ser candidata à União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas nas próximas eleições autárquicas?
[BS]: Gostaria muito de continuar o legado do meu pai e garantir que o trabalho que ele desenvolveu até agora não se perca. Trabalhamos juntos há quase 12 anos, embora eu acompanhe o trabalho dele há quase 24. Acho importante manter essa proximidade com as pessoas, que sempre foi uma das grandes bandeiras dele, e que também já sinto muito minha. Quero continuar esse caminho, mas também avançar com novos projectos.
Temos desenvolvido muitos trabalhos ao longo dos anos. Recentemente, recebemos um galardão de mérito social graças a um projecto inovador: colocámos caixas de denúncia de violência doméstica nas casas de banho de alguns estabelecimentos comerciais em Santa Clara, porque esta é uma questão que nos preocupa muito. Muitas vezes, o nosso trabalho social é discreto, porque envolve pessoas em situações delicadas e não gostamos de expor quem sofre.
Temos uma relação próxima com o centro de saúde, que nos contacta directamente para pedir apoio psicológico para alguns doentes. Também colaboramos com escolas, intervindo quando surgem sinais de que algum aluno precisa de ajuda, mas sempre de forma reservada, para evitar alarme ou exposição desnecessária.
Prefiro que o nosso trabalho fique na retaguarda, porque não queremos aproveitar-nos das dificuldades alheias. Embora algumas pessoas nos digam que deveríamos divulgar mais o que fazemos, há questões que nos custam a partilhar porque envolvem dor e fragilidade. Mas quem precisa sabe que pode contar connosco, que estamos sempre disponíveis para ajudar.