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Hélder Ribau

Coimbra, Serviço de Urgência… Urbana

27 de Junho 2025

Coimbra é, com orgulho, uma cidade da saúde. Possui um hospital universitário de referência e um capital de confiança clínica consolidado ao longo de décadas. Mas basta caminhar pelas ruas para perceber que a urgência não se limita às macas: estende-se às praças, aos edifícios devolutos, às ligações que não se fazem e à gestão que não se cumpre.

Se os corredores hospitalares são retratos de vidas suspensas, os da governação local tornaram-se salas de espera. A cidade precisa de mais do que observações avulsas – precisa de um plano claro, estruturado e consequente. O seu estado não é de emergência súbita. É uma condição prolongada, marcada por ciclos de esperança interrompida.

Fala-se há anos de reabilitação urbana, mas continua a faltar um plano terapêutico para a cidade. Um plano que diagnostique com precisão, intervenha com coragem e acompanhe com consistência. Coimbra não pode continuar presa a ensaios clínicos de política pública: precisa de decisões firmes, medidas estruturais e visão prolongada.

Na mobilidade, na habitação, na sustentabilidade ou no apoio às famílias e aos mais velhos, é urgente abandonar a gestão de manutenção. É tempo de assumir uma liderança que pense a cidade em rede – conectada, inclusiva, respirável. Uma liderança que proponha soluções integradas: transportes com cobertura real, bairros com vida, espaços públicos reabilitados, dinâmicas económicas que valorizem o talento e atraiam investimento. E que olhe com atenção para as diversas e magníficas praças de Coimbra – do comércio à convivência, da história ao quotidiano – hoje ansiosas por voltar a ser ponto de encontro, de cultura, de cidade vivida.

Coimbra tem de voltar a ser um lugar onde o investimento público gera condições para o crescimento, mas onde também se reconhece e estimula o valor da iniciativa privada. A cidade precisa de acolher quem arrisca, de premiar quem concretiza, de criar pontes de colaboração onde o público e o privado avancem lado a lado. Uma cidade moderna não se constrói contra ninguém – constrói-se com todos os que querem fazer parte da sua transformação.

As margens do Mondego continuam simbolicamente afastadas. Não por falta de pontes físicas, mas por ausência de estratégias que liguem territórios, ideias, instituições e gerações. Coimbra precisa de mais do que obras – precisa de sentido. E esse sentido constrói-se com escuta activa, participação cívica e visão a longo prazo.

A cidade não pede milagres. Pede trabalho com método, ambição com responsabilidade e vontade de transformar. O que está por fazer não é apenas um atraso – é uma oportunidade. Coimbra está desperta. E quer sair do bloco operatório político onde tem sido mantida em espera.

A maior urgência de Coimbra não está no hospital. Está no seu destino. E esse só se resolve com coragem para, finalmente, Avançar.