Em cada gesto anónimo, em cada hora oferecida sem nada pedir em troca, vive uma força silenciosa que molda Portugal – o voluntariado. Não é um favor, não é um extra: é a expressão mais pura da nossa humanidade. E é essa força vital que a Confederação Portuguesa do Voluntariado (CPV) nos pede agora que vejamos, respeitemos e integremos, com coragem e visão, no futuro político do nosso país. Por demasiado tempo, demasiado tempo mesmo, o voluntariado foi tratado como uma nota de rodapé da vida pública. Uma realidade admirada em discursos, mas esquecida nas decisões… A iniciativa da CPV vem corrigir esta injustiça. Ao propor a inclusão do voluntariado nos programas eleitorais, ergue um grito de lucidez e esperança: é tempo de reconhecer aqueles que, com as suas mãos, com o seu tempo e com o seu coração, constroem um Portugal mais solidário e mais justo! Não falamos apenas de assistência… Falamos de transformação social! Falamos de cidadãos que, todos os dias, sem câmaras nem holofotes, combatem a solidão, a exclusão, a fome e a tristeza. Falamos dos que cuidam onde o Estado não chega, dos que acolhem onde o mercado abandona, dos que reconstroem onde a vida parece ter falhado. O seu contributo, tantas vezes invisível, é a força que ainda sustém a coesão das nossas comunidades.
Valorizar a generosidade
A proposta de uma agenda nacional para o voluntariado, construída lado a lado com a sociedade civil, é, por isso, muito mais do que uma boa ideia: é uma necessidade civilizacional! Reconhecer o valor económico, social e humano do voluntariado é investir no futuro, é consolidar os alicerces de uma sociedade mais resiliente, mais participativa, mais fraterna.
As medidas concretas que a CPV avança – como a isenção do pagamento do registo criminal para voluntários, a revisão da legislação do setor ou o reconhecimento oficial da Confederação como representante do voluntariado – são exigências justas e mínimas para quem tanto oferece e tão pouco pede.
São pequenos gestos políticos que carregam uma profunda mensagem: a de que valorizamos, de verdade, a generosidade como força transformadora. Ao integrar o voluntariado nas suas propostas, os partidos políticos estarão a afirmar que acreditam num país diferente – um país onde cuidar dos outros não é visto como uma opção, mas como parte essencial do que significa ser cidadão.
Esta é uma chamada que não pode ser ignorada… Não apenas por respeito a quem dá o melhor de si, mas porque sem o voluntariado, sem essa energia discreta e poderosa, o futuro tornar-se-á mais frio, mais isolado, mais desigual! Portugal precisa, mais do que nunca, de honrar aqueles que silenciosamente o seguram. De fazer do voluntariado uma prioridade nacional, de o colocar no centro da nossa visão colectiva de futuro. Um país que não reconhece os seus voluntários esquece a melhor parte de si próprio! Que os partidos saibam ouvir este apelo… Que não falhem aos que nunca falham… Que vejam, finalmente, a força invisível que sempre nos sustentou – e que nela encontrem o caminho para um país mais humano, mais justo, mais inteiro.
No fundo, quem dá a vida pelos outros é quem, verdadeiramente, constrói o amanhã… São os gestos silenciosos, tecidos com amor invisível, que escrevem as páginas mais eternas da história de um povo…
(*) Doutorando na FMUC