Coimbra  16 de Março de 2026 | Director: Lino Vinhal

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Hernâni Caniço

ACM, um ex-libris da cidade

13 de Junho 2025

Há uma associação em Coimbra, que faz 107 anos no próximo dia 20, tendo surgido o movimento 4 anos antes, tendo por objectivo promover bem-estar físico e aperfeiçoamento intelectual, social, moral e espiritual dos associados, sem discriminação do género e da idade, sem distinção de raça, cor ou crença religiosa, embora tenha por norma os princípios do cristianismo.

Essa associação é bem conhecida em Coimbra pelas suas iniciais (ACM), e trata-se da Associação Cristã da Mocidade (a segunda mais antiga em Portugal), e é uma das associações mais ecléticas do País, nomeadamente na cultura, educação física e desporto, adaptando o seu historial com particular incidência na juventude e na redução de situações de carência e desigualdade social.

Foi (também) esta associação que Ana Abrunhosa, candidata à gestão autárquica, quis conhecer os seus problemas e necessidades, suas venturas e dificuldades, sua função e reconhecimento atribuído, na senda de ouvir a cidade que se move, que produz, que torna Coimbra bela.

Exercendo a sua acção durante a ditadura instaurada em 28 de Maio de 1926, atravessou 48 anos continuando a desenvolver a sua acção filantrópica, apesar do regime de Salazar e Caetano, sendo considerada do “reviralho”, por oposição a outra instituição dita religiosa serventuária do fascismo implantado.

Mas a ACM resistiu, continuou e continua durante o regime de liberdade e democracia, a ser um padrão e referência, principalmente na juventude que a procura, lhe dá vida, saúde e saber (atualmente com 700 praticantes), tendo feito obras recentes, com recurso à receita de quotizações e rendimentos, bem como a crédito bancário, e não contando com apoio autárquico.

Aliás, tendo solicitado apoio ao executivo autárquico actual para as suas actividades culturais, regulares, após ter sido recusado, por alegadamente ser fora de prazo (o que era falso), foi presenteada com 1.000 euros, apoio esse recusado por ser indigno para uma associação prestigiada e reconhecida, como Instituição de Utilidade Pública (1984), Medalha de Bons Serviços Desportivos (1988) e Medalha de Ouro da Cidade de Coimbra (1993), e pela dimensão do programa cultural plasmado no seu programa de acção, anual.

Apoio recusado

É uma entidade empregadora que tem cerca de 250.000 euros de despesa com pessoal a seu cargo, que merecia consideração e respeito, quando se fala de desenvolvimento económico e do apoio à juventude.

Além do desporto de manutenção, investe no desporto federado e de competição (com apoio autárquico insatisfatório), havendo grande discrepância entre o volume de actividades e o subsídio estatal, o que não permite incrementar um projecto olímpico, que creditaria a cidade, sendo que 80% das verbas atribuídas pela autarquia ao desporto são direccionadas para uma única instituição, não favorecendo a equidade e a exploração das capacidades instaladas nas outras associações.

Os critérios regulamentares autárquicos de apoio ao desporto estão ultrapassados, o que facilita a burocracia, mas não promove Coimbra, como pólo de juventude que a pode levar a todo o mundo, não só na ciência, na arte e na cultura, mas também nos resultados formativos no desporto para todos e competitivo, com atribuição de mérito e excelência.

Ana Abrunhosa, professora da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, agora procurando servir Coimbra, com humildade e sem pedantismo, com competência e experiência política vasta, ouviu a ACM, através do seu presidente Fausto Carvalho e a sua Direcção. E dá voz à cultura de diálogo.

(*) Médico e vereador do PS na Câmara de Coimbra