O Museu do Fado, em Lisboa, abre ao público, esta sexta-feira, a exposição “Variações para Carlos Paredes”, uma homenagem ao guitarrista português cuja obra marcou profundamente a música nacional. A mostra estará patente até 18 de Janeiro de 2026 e integra o Programa de Comemoração do Centenário do nascimento de Carlos Paredes, com curadoria de Ivan Dias e António Manuel Nunes.
A exposição reúne algumas das guitarras do músico, que lhe foram legadas em testamento, e que agora fazem parte das colecções do Museu do Fado, do Museu de Lisboa e do Mosteiro dos Jerónimos. Estão também expostas fotografias inéditas, captadas pelo fotógrafo Carlos Gil nos anos 1970, bem como a discografia integral do artista, além de programas de concertos e peças de teatro para as quais compôs música.
Carlos Paredes é reconhecido como um criador de repertório original que elevou a guitarra portuguesa ao mais alto nível de expressão, influenciando gerações de músicos nacionais e internacionais e contribuindo para a popularização deste instrumento junto de um vasto público.
O centenário do guitarrista conta com uma vasta programação que inclui mais de uma centena de concertos, colóquios, filmes e oficinas, distribuídos por três áreas principais: espectáculos performativos, investigação com publicações e colóquios, e acções educativas, como oficinas e roteiros.
O Arquivo Nacional do Som está a desenvolver um plano para a salvaguarda da obra fonográfica de Carlos Paredes, incluindo a recolha de suportes sonoros e documentos, bem como a criação de uma discografia digital para disponibilização online.
Até ao final do ano, estão previstos ainda dois colóquios no Museu do Fado e a exibição de vários projectos audiovisuais, entre os quais dois documentários realizados por Graça Castanheira e Ivan Dias.
Carlos Paredes nasceu em Coimbra a 16 de Fevereiro de 1925 e faleceu em Lisboa, a 23 de Julho de 2004. Filho do também guitarrista Artur Paredes, Carlos desenvolveu uma abordagem pessoal e inovadora da guitarra de Coimbra, mantendo a tradição familiar e conquistando os principais palcos internacionais. Foi também um activista antifascista e viveu grande parte da sua vida em Lisboa, cidade que inspirou várias das suas composições, como “Verdes Anos”, tema emblemático do filme homónimo de Paulo Rocha.
A programação completa da celebração do centenário está disponível em www.centenariocarlosparedes.pt.