Coimbra  14 de Abril de 2026 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Hernâni Caniço

Coimbra não é o paraíso

6 de Junho 2025

Estudantes, professores e demais trabalhadores manifestaram-se contra a falta de transportes no Pólo 2, sabendo que o Metro Bus não engloba essa zona, mas a rede de transportes públicos para essa zona não pode descurada, havendo apenas as linhas 34 e 38 dos autocarros que são insuficientes (e a redução de carreiras em 2025), estando em causa a mobilidade de mais de 6.000 pessoas.

Um transbordo desde a estação da Portela até ao Pólo 2 de forma direta, minimizaria a situação. As aulas começam às 8h30m (hora de ponta) e terminam à hora a que os autocarros têm lotação esgotada.

Caricaturalmente, os estudantes tornaram mais transitável um carreiro que já existia (ou seja, uma via pedonal).

O presidente da Câmara diz-se solidário com os estudantes, mas nada faz, lamentando-se que há um “tremendo défice de motoristas e outros recursos nos SMTUC”. E porque será que há esse défice? E será inviável o transbordo ou é apenas falta de sensibilidade?

Quanto à mobilidade infantil, as cidades europeias estão a criar condições de segurança para as crianças que querem deslocar-se a pé ou de bicicleta, através do corte ou condicionamento de trânsito automóvel nas ruas à volta das escolas, com ciclovias protegidas e limite de velocidade de 30 km/hora.

O Observatório Europeu de Segurança Rodoviária (e a UNICEF) recomendam ciclovias segregadas e zonas de 30 km/hora em “ruas escolares” (vias em redor das escolas, com prioridade aos peões e ciclistas e onde o tráfego motorizado é limitado).

Tomar medidas para que as crianças se desloquem de forma segura e activa (a pé, de bicicleta ou transporte público), promove a saúde física e mental, desenvolve autonomia e confiança, facilita o acesso à escola, ao lazer e à vida comunitária, combate o sedentarismo, cria hábitos sustentáveis, reduz a dependência do automóvel e melhora a qualidade do ar e os níveis de ruído.

O executivo autárquico está mais preocupado com o MetroBus e a inauguração da 1.ª fase antes das eleições (agora inviável…), mas será que existe alguma estratégia para Coimbra, no campo da mobilidade infantil segura, sustentável e activa? As crianças estão primeiro, mas não pode ser apenas em verborreia.

Por último, não há proximidade com os representantes dos pequenos/grandes problemas de bairros da cidade, ignorando-se os seus problemas, apesar de muitas promessas eleitorais não cumpridas.

As Associações de Moradores de S. José e Quinta da Nora são solidárias, mas com muitos problemas que o executivo autárquico, embora informado, não resolveu (mas comparece na Festa do Vizinho…).

Há um ruído nocturno ensurdecedor no Bairro S. José, provocado por corridas de automóveis e motos (ilegais obviamente), nada sendo feito pelas autoridades (embora informadas). Há também festas ruidosas pela madrugada nas cercanias, que não permitem o legítimo descanso.

As árvores de grande porte têm raízes que levantam a calçada e retiram a visão panorâmica das habitações, por falta de manutenção, nomeadamente a poda. As folhas caídas são retiradas a expensas dos parcos haveres da quotização associativa, e as caldeiras estão mal executadas.

Os ecopontos não estão sinalizados para moradores, e falta placa de reserva ou prioridade de estacionamento. Há bancos de assento partidos.

Não há resolução dos problemas dos nómadas pela autarquia (instalações sanitárias, higiene urbana, habitação condigna).

A limpeza do bairro é uma miragem. Tal como são miragens, as promessas feitas há 4 anos para estes bairros pelo executivo autárquico conservador.

(*) Médico e vereador do PS na Câmara de Coimbra