Coimbra não pode ser uma cidade adiada. O concelho e as nossas gentes merecem já respostas concretas aos crescentes problemas. Sucessivos executivos autárquicos, ora mais de um lado, ora mais de outro, têm ignorado o que realmente importa aos conimbricenses. Apesar das duras críticas enquanto oposição, a dita alternância rapidamente desilude. Bem pregou Frei Tomás, pois no essencial, na prática do poder autárquico não se vislumbram diferenças de vulto.
Os conimbricenses estão cansados de jogos de poder, de executivos municipais distantes dos cidadãos, que não os ouvem, ou que fazem de conta que os escutam. Exige-se dos eleitos autárquicos, uma gestão participada, democrática, de grande proximidade e informação, gestão ao serviço da população ao encontro das suas aspirações e interesses. Concepção assente em mecanismos de participação, responsabilização e envolvimento efectivo. E não é, nem de perto, aquilo a que nos têm habituado. Não se valorizam as preocupações e reclamações dos cidadãos, só porque se atendem, com fastio, uns quantos munícipes que se enxotam de seguida ou se promovem uns quantos “orçamentos participativos”. Impõe-se abrir o município aos cidadãos, com reuniões de facto descentralizadas nas freguesias do concelho, com a presença das pessoas e em contacto com os problemas e propostas dos munícipes a quem regularmente se tem de prestar contas.
A CDU exigiu e exige uma gestão mais descentralizada, em que a relação com as freguesias, a valorização do seu papel e dos seus meios assuma papel relevante.
Viver melhor em Coimbra, é necessário e possível, procedendo:
a articulação e envolvimento planeado e organizado com os cidadãos, com os agentes culturais e desportivos, com o movimento associativo, as colectividades e clubes de bairro, as associações de moradores, as associações de defesa do ambiente, em que a autarquia se constitui como promotor acrescido de actividade;
à assunção clara da natureza pública da gestão, reforçando o serviço público nas suas diversas expressões (da água aos resíduos, dos espaços verdes à educação e aos transportes), recusando soluções privatizadoras;
à valorização dos trabalhadores da autarquia, das suas condições de trabalho (das instalações, equipamentos e condições de higiene e segurança);
à afirmação do interesse público e geral sobre interesses privados e particulares na gestão do território, na ocupação do solo combatendo interesses imobiliários e especulativos;
a política de ordenamento, urbanismo e gestão do solo numa perspectiva de interesse público, orientada para políticas de habitação que garantam o direito de todos ao seu acesso, que garanta uma ocupação do território equilibrada e ambientalmente sustentada, preventiva de desastres naturais;
à qualificação e valorização do espaço público, preservação e defesa de valores ambientais, defesa do ordenamento do território, criação de mais espaços verdes e de lazer, de bosques e corredores verdes;
à promoção, diversificação e requalificação de parques infantis, jardins e espaços públicos, seguros, humanizados e humanizantes para o desenvolvimento integral e o bem-estar das nossas crianças, com áreas para brincar, de lazer e convivialidade dos mais velhos;
à promoção de políticas de mobilidade favoráveis ao transporte público, fiável, acessível e que cubra todas as áreas do concelho;
a políticas de democratização da cultura e do desporto, privilegiando a criação e a sua fruição a partir do incentivo à participação e envolvimento directo, diversificando gostos e hábitos culturais, promovendo a educação para as artes, a leitura e a literacia cultural, valorizando as expressões de património local material ou imaterial;
à defesa do comércio tradicional; à fixação de pessoas e reanimação da baixa e dos bairros da cidade; à dignificação das zonas de periferia;
à implementação de políticas transversais de promoção de vida saudável, favorecendo o bem-estar físico e a protecção da saúde e a redução de riscos, alcançável por programas de envelhecimento activo, por actividades culturais e desportivas, e acções valorativas do ambiente, da habitabilidade, do espaço público;
à defesa da requalificação e reactivação de equipamentos e serviços de saúde, das urgências dos Covões, das Maternidades, dos centros de saúde;
à valorização da Escola Pública, na garantia do direito à educação integral e inclusiva, promovendo espaços e tempos de socialização, em que relevam os Projetos Educativos ligados às tradições culturais, à promoção da Paz e da Liberdade, à defesa do ambiente, da expressão físico-motora ou do património.
Projecto válido e provas dadas por quem é voz de reclamações e anseios dos munícipes e detém um vasto património de proposta, denúncia e firmeza, trabalho concreto, com competência e honestidade, nas freguesias, na autarquia ao serviço da população. Os conimbricenses precisam de um concelho com mais qualidade de vida, mais humano.
(*) Candidato da CDU à Câmara Municipal de Coimbra