Festival Sons, Saberes e Sabores da Lusofonia regressa a Coimbra com nova morada
A cidade de Coimbra volta a ser, por três dias, o ponto de encontro de uma celebração onde se ouvem batuques, se lêem poemas, se provam pratos com nomes difíceis de pronunciar mas fáceis de gostar e onde a lusofonia se transforma num bairro sem fronteiras. A sexta edição do Festival Sons, Saberes e Sabores da Lusofonia está à porta — e vem com nova morada: de 6 a 8 de Junho, é o Terreiro da Erva que recebe o evento, que até aqui se realizava no Parque Manuel Braga.
O anúncio foi feito esta terça-feira, 3 de Junho, na Praça do Comércio. João Francisco Campos, presidente da União das Freguesias de Coimbra, abriu as hostilidades: “É a primeira vez que o Terreiro da Erva acolhe este festival. Uma mudança que é também um sinal. Estamos a apostar na revitalização da Baixa, e este evento faz parte dessa estratégia”.
Mas nem só de geografia vive o festival. Rui Amado, curador do evento e representante da Casa de Angola em Coimbra, fez questão de sublinhar o espírito desta iniciativa: “É um festival feito com e para as comunidades lusófonas que vivem na cidade. Um espaço de integração e partilha, onde se celebra a diversidade com música, literatura, moda, gastronomia e aquele calor humano que só os países de língua portuguesa sabem bem servir”.
Entre livros e muamba: uma programação para todos os sentidos
A agenda não deixa margem para dúvidas: quem for ao Terreiro da Erva nestes três dias vai precisar de apetite — não só para comer, mas também para ouvir, ver, dançar e pensar.
A abertura oficial acontece na sexta-feira, dia 6, pelas 19h00, com a inauguração das Tendas dos Sabores, onde se poderá provar calulu, matapa, muamba, cachupa e outros manjares que dispensam passaporte. Pouco depois, às 19h30, o Coro BAIXAàVOZ (Portugal) dá o tom da noite, seguido de um set de DJ Chimuadas às 20h30.
No sábado, o festival reabre ao meio-dia e meia e arranca logo com Alex Lima (Brasil), às 13h15, seguido pela FAN-Farra Académica de Coimbra, às 15h15. Às 16h00, é tempo de livros e palavras, com uma conversa entre Jessemusse Cacinde (Moçambique), Aurelino Costa e Pedro Albuquerque. E a tarde continua com desfile das Capulanas de Moçambique, mais literatura, danças timorenses e uma nova dose de DJ Chimuadas a fechar.
Domingo é para repetir a dose e despedir-se com estilo: Alex Lima volta ao palco às 13h15, seguido por Filipe Chiolo e sua banda, de São Tomé e Príncipe. Às 16h00, o espaço literário recebe Olinda Beja, Wagner Merije e Greta Rocha — com destaque para o lançamento de Um Furacão em Lisboa, o novo livro de Merije, que embora nomeie a capital, nasceu em Coimbra, onde o autor brasileiro vive há oito anos. As actuações encerram com a Tribo da Dança, às 18h00 e o Festival termina às 23h00, deixando promessas de regresso e saudades no ar.
De Coimbra para o mundo — e vice-versa
Apesar de se apresentar como um festival de “dimensão modesta”, como lhe chama Rui Amado, o impacto vai muito além do Terreiro da Erva. “Há sempre surpresas”, diz o curador. “Artistas que aparecem de improviso, visitantes que vêm por acaso e ficam até ao fim. No ano passado, por exemplo, o cantor guineense Justino Delgado subiu ao palco sem estar no cartaz. É essa magia que queremos continuar a cultivar”.
O presidente da Câmara Municipal, José Manuel Silva, marcou presença na apresentação e deixou claro o compromisso da cidade com o evento: “Coimbra quer ser, cada vez mais, uma capital da lusofonia. E este festival é prova disso. Celebra o passado, acolhe o presente e ajuda a construir um futuro partilhado.” A escolha do Terreiro da Erva é, também, uma declaração de intenções: “Queremos devolver este espaço à cidade como centro de cultura e convivência. E, ao que tudo indica, São Pedro também está connosco: previsão de 0% de chuva para todo o fim-de-semana”.
No total, o Terreiro da Erva vai transformar-se numa aldeia lusófona em ponto pequeno: 13 pavilhões de madeira representam outras tantas comunidades, com gastronomia, artesanato, livros, música e, acima de tudo, pessoas. “Quem cá está sente-se em casa”, conclui João Francisco Campos. “E quem ainda não conhece a riqueza da lusofonia, vai descobrir um pouco do mundo sem sair de Coimbra”.