Numa época em que tanto se fala sobre política e políticos, sobre competência e mediocridade, sobre proximidade ou afastamento dos eleitores e dos seus problemas, Miranda do Corvo foi derrubada pela partida, precoce e totalmente inesperada, do Paulo Silva.

Tendo eu o privilégio de quinzenalmente ocupar algumas linhas nesta publicação, não posso deixar de evocar um amigo que partiu mas, sobretudo, um bom Homem público.
Para aqueles que estão afastados da nossa realidade, Paulo Silva era o candidato do PSD a presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo em 2024. Já o havia sido em 2021. Mas para os mirandenses era muito mais do que isso. Gerente da Caixa de Crédito Agrícola, era pai apaixonado, amigo do amigo, desportista por natureza e pessoa da comunidade.
Homem de sorriso permanente e humor fácil, dos seus e das suas paixões: em primeiro lugar da sua Joana e, mais tarde, da Maria Vitória; da sua família; do seu Mirandense, que capitaneou vezes sem conta e cujo núcleo de veteranos edificou; do seu Sporting, sempre; da Miranda que adoptou e cujo futuro o fazia vibrar; e do nosso PSD.
Apesar de 20 anos ao serviço do PSD em Miranda do Corvo, Paulo Silva não era o mais típico dos políticos. Certamente, não seria o mais exímio dos comunicadores ou o mais arrojado dos criadores, mas era, seguramente, uma notável interpretação e voz dos anseios da sua comunidade fruto de uma porta – sempre e escancaradamente – aberta.
O Paulo Silva não era um “yes man”. As suas vastas relações não vinham, seguramente, de ter dito “sim a tudo”. Dele, o mais provável seria mesmo haver um “concordo em parte, mas…” porque tinha as suas convicções mas sabia que os avanços só podiam nascer de quem sabe ouvir, quer fazer e está disponível para abraçar (a começar pelos que nem sempre pensam igual).
O Paulo parte numa altura em que o bipartidarismo parece acabar, num tempo onde os partidos – demasiado fechados e apostados na promoção da mediocridade – têm vindo a perder o seu propósito. Uma coincidência tremenda que não nos deve fazer deixar de reflectir.
Numa democracia moderna e robusta, capaz de afrontar os perigos do populismo à primeira esquina, faz falta quem saiba escutar e quem deseje concretizar.
Pelos sonhos comuns, haveremos de ir em frente, meu amigo.
(*) Advogado e gestor