Na próxima terça-feira, dia 3 de Junho, pelas 21h30, o Auditório Madalena Biscaia Perdigão acolhe mais uma sessão do ciclo «Terças com Poesia», promovido pela Exemplo Extremo – Associação Cultural. Desta vez, o público é convidado a embarcar numa viagem pouco convencional — e absolutamente irreverente — pelo universo da poesia e do humor, com o espectáculo de Stand-Up Poetry «Nem a Poesia morre nem a gente janta», apresentado pelo Colectivo R.I.R.
Sob o manto da noite e o pretexto da palavra, os três membros do colectivo — Rui Spranger, Renato Filipe Cardoso e Isaque Ferreira — invocam um autêntico “clube dos poemas mortos”, onde a morte serve de pretexto para celebrar a vida. Com textos e poemas de autores que “nem morrem nem saem de cima”, o espectáculo promete uma experiência única, onde o riso e a reflexão caminham lado a lado.
“A morte fica-vos bem, sobretudo com gargalhadas de caixão à cova e sem paz à vossa alma”, ironiza o colectivo, que desafia o público a viver cada verso como se fosse o último. Uma provocação poética que transforma o luto em palco e a solenidade em gargalhada, com a poesia como mediadora entre o fim e o riso.
A entrada é gratuita, embora sujeita à lotação da sala, e espera-se casa cheia para mais esta noite singular do ciclo «Terças com Poesia», onde o verbo se faz carne — ou, neste caso, fantasma — e o riso ecoa como o som de um epitáfio bem escrito.
Os protagonistas desta sessão são figuras reconhecidas no meio cultural português. Rui Spranger tem trilhado um percurso vasto no teatro e na promoção da poesia, somando funções de actor, encenador, diseur e programador. Renato Filipe Cardoso, jornalista e formador, é uma presença activa na cena da música alternativa e da poesia falada. Já Isaque Ferreira, leitor compulsivo e bibliófilo, destaca-se como um dos mais respeitados divulgadores da palavra poética em Portugal.
Numa sociedade onde a morte se esconde e a poesia, por vezes, também, esta proposta do Colectivo R.I.R. vem lembrar-nos que, por vezes, rir é o melhor epitáfio. E que o humor — como a poesia — pode muito bem ser o que resta, mesmo quando já não resta nada.