A Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra inaugurou a Unidade de Tratamento de Feridas Complexas do Centro de Saúde Fernão de Magalhães, em Coimbra.
A elevada prevalência de feridas complexas, um grave problema de saúde pública, com custos significativos, não só a nível socio-económico, mas também para a qualidade de vida do doente e famílias, foi o problema que uma equipa de profissionais de saúde tentou solucionar quando, em 2024, concorreu à primeira edição do Programa Integrar +, promovido pela Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra para ouvir e implementar as ideias dos profissionais de saúde para melhorar o percurso do doente e a articulação entre os diferentes cuidados dentro da ULS.
Este programa revelou-se um sucesso e os resultados estão à vista: um ano depois, fruto deste programa, a ULS dá início à expansão da rede de Tratamento de Feridas Complexas na região de Coimbra.
“A gestão e o tratamento de indivíduos com Feridas Complexas (FC), bem como os aspectos relacionados com a sua prevenção, requerem o envolvimento de uma equipa multidisciplinar bem organizada, com uma forte componente de colaboração entre pares e com o foco na intervenção comunitária”, explica o enfermeiro Luís Claro, um dos responsáveis pela dinamização desta Unidade, acrescentando: “sabe-se que cerca de 70% dos doentes com feridas de difícil cicatrização são tratados em contexto comunitário e é isso que pretendemos fazer com a extensão da nossa rede de tratamento de feridas complexas dentro da ULS de Coimbra”.
Os principais objectivos das Unidades de Tratamento de Feridas Complexas são: padronizar as práticas clínicas no cuidado a pessoas com FC; melhorar a qualidade de vida dos utentes com FC; promover a coordenação entre os cuidados de saúde primários e hospitalares; optimizar a prevenção primária no âmbito do tratamento de FC.
Alexandre Lourenço, presidente do Conselho de Administração da ULS de Coimbra, explica a metodologia utilizadas: “os utentes são referenciados pelos Cuidados de Saúde Primários, hospitalares e por instituições do terceiro sector dentro da área de abrangência, e são posteriormente triados com base na presença de uma ferida de difícil cicatrização, com pelo menos 10 semanas de evolução. É um verdadeiro exemplo de cooperação e integração de cuidados”.
Em 2024 foram realizados aproximadamente 2.000 tratamentos e a taxa de alta foi de 78%. A maioria dos utentes referenciados teve origem nos Cuidados de Saúde Primários.
“Esta iniciativa permite um acompanhamento próximo de pessoas com feridas crónicas de difícil cicatrização. Simultaneamente, a abordagem interdisciplinar permite a avaliação e o tratamento de outras comorbilidades”, destaca Alexandre Lourenço, frisando que “o facto de se tratar de uma equipa com competências diferenciadas, permite reduzir os tempos de cicatrização e garantir referenciações adequadas para serviços especializados. Isto representa uma clara oportunidade para melhorar a qualidade dos cuidados de saúde prestados no contexto das ULS, em proximidade e centrados nas pessoas”.
“O facto de esta iniciativa ter nascido no seio do Programa Integrar + deixa-nos particularmente satisfeitos, pois é a prova de que envolver os nossos profissionais de saúde, ouvir as suas ideias para melhorar o percurso do doente e a articulação entre os diferentes cuidados de saúde, é uma aposta ganha”, sublinha o responsável, concluindo: “reforçamos o compromisso com uma melhor integração de todos os níveis da prestação de cuidados, incentivando e implementando as ideias de melhoria dos nossos profissionais de saúde”.
José Manuel Silva, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, que esteve na inauguração da Unidade de Tratamento de Feridas Complexas no Centro de Saúde Fernão de Magalhães, considera que se trata de “um serviço muito importante para a melhoria dos cuidados de saúde prestados à comunidade”. Para o autarca foi “um gosto” estar presente na inauguração desta Unidade “de grande importância para a proximidade com a comunidade”, que tem “o mérito de tirar as pessoas do grande hospital central, o que é muito importante para a descentralização da saúde, mas acima de tudo para a saúde se aproximar da comunidade”.