A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) prevê consignar até ao final de Junho a empreitada de alimentação artificial de areia entre as praias da Cova-Gala e Costa de Lavos, na Figueira da Foz.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da APA, Pimenta Machado, disse que as obras vão ser efectuadas entre os esporões 3 e 5, por lanços, e não afectam a próxima época balnear.
“A empreitada será efectuada numa área muito restrita e as pessoas têm muita praia para usufruírem”, referiu o dirigente, salientando que se trata da “maior intervenção de alimentação artificial de praia alguma vez realizada em território nacional”.
A intervenção em questão passa por efectuar a dragagem de sedimentos numa zona a norte do molhe Norte do porto da Figueira da Foz e depositá-los nas praias a sul, gravemente afectadas por fenómenos de erosão.
“Uma draga vai retirar areia da Praia da Claridade e depois desloca-se para a zona da Cova-Gala para a depositar na praia através de uma tubagem mecânica articulada”, explicou Pimenta Machado.
Trata-se de uma intervenção de 21,1 milhões de euros que vai permitir a transferência de 3,3 milhões de metros cúbicos (m3) de areia para combater a erosão costeira ao longo de 120 dias de execução.
A redução do prazo da empreitada, que inicialmente era muito superior, deve-se a uma questão processual e operacional do consórcio dinamarquês Rohde Nielsen, a quem foram adjudicados os trabalhos, disse.
“Esta operação visa repor a linha de costa nos níveis de 2011, antes dos impactos erosivos associados ao prolongamento do molhe norte do porto”, acrescentou.
Segundo a APA, a empreitada tem financiamento assegurado pelo Programa Temático para a Acção Climática e Sustentabilidade e uma pequena comparticipação do Porto da Figueira da Foz e da Câmara Municipal.
O projecto foi sujeito a Avaliação de Impacte Ambiental e obteve Declaração Favorável Condicionada, sendo sujeito a “programas rigorosos de monitorização e acompanhamento técnico durante toda a operação”, nomeadamente a caracterização das areias e dos seres vivos presentes e o levantamento topo-hidrográfico das praias.
Este processo tem acumulado anos de atraso – foi publicamente anunciado, pela primeira vez em 2019, pelo Governo de então – mas a calendarização estipulada até hoje nunca foi cumprida.