Centenas de estudantes manifestaram-se no Pólo II da Universidade de Coimbra para reivindicar transportes públicos “eficientes e acessíveis” para esta parte da cidade.
A manifestação pacífica, com o mote “Metro para a frente, Pólo 2 para trás”, decorreu na tarde de quarta-feira e foi organizada pela comissão unificadora dos sete Núcleos de Estudantes da Associação Académica de Coimbra (AAC) do Pólo II da Universidade de Coimbra (UC), em conjunto com o Conselho de Veteranos.
Esta manifestação consistiu na construção, simbólica, de um caminho em brita/gravilha a ligar o Pólo II da UC ao início da Quinta da Portela, e surge pela ausência de transportes públicos (SMTUC) eficientes e acessíveis a esta zona da cidade de Coimbra, assim como pelo facto do o projecto do Metro Mondego não contemplar o Pólo II, com a paragem mais próxima a ficar a mais de 1 km de distância, na Portela.
Segundo os estudantes, “as reuniões mantidas com a Câmara Municipal de Coimbra, os SMTUC e a Metro Mondego revelaram um quadro preocupante: apesar da abertura ao diálogo não foram apresentadas soluções concretas para um problema que se arrasta há anos”. “A comunidade do Pólo II sente que as suas necessidades continuam a ser sistematicamente ignoradas – mesmo quando expressas de forma organizada, fundamentada e respaldada por dados – e esta falta de respostas efectivas levanta legítimas dúvidas quanto ao compromisso político com a equidade territorial dentro da própria cidade universitária”, consideram.
Conforme foi acentuado, as informações recolhidas num relatório sobre os serviços de transporte “demonstram que mais de 98% dos estudantes se deslocam regularmente para o Pólo II, com uma esmagadora maioria a depender dos autocarros dos SMTUC”. “No entanto, estes enfrentam uma rede insuficiente, caracterizada por horários desadequados, autocarros sobrelotados e falhas sistemáticas de pontualidade. O impacto é claro: dificuldades no acesso às aulas, desigualdade de oportunidades e um sentimento generalizado de abandono” – justificam.
Em representação dos sete Núcleos de Estudantes, Diogo Flórido. presidente do Núcleo de Estudantes de Engenharia Electrotécnica e de Computadores da Associação Académica de Coimbra (NEEEC/AAC), declarou: “O que está aqui a passar é uma acção reivindicativa dos estudantes face à falta de transportes públicos acessíveis e de qualidade no Pólo II da Universidade de Coimbra. São já quase três décadas desde a primeira pedra do Pólo II e são três décadas de negligência e de desrespeito para com uma comunidade académica muito grande, com mais de 7.000 membros. Estamos a falar de professores, investigadores, estudantes, pessoas que necessitam de ter transportes públicos acessíveis e de qualidade”.
“Estamos na altura perfeita, em que se aproxima a inauguração do Sistema de Mobilidade do Mondego, o qual, apesar de ter sofrido uma segunda alteração para ser convertido de metro ligeiro de superfície para a solução MetroBus, voltou a não contemplar uma paragem no Pólo II da Universidade de Coimbra”, lamentou.
Na manifestação, para além da grande massa estudantil presente, estiveram também o Director da FCTUC (Professor Doutor Edmundo Monteiro) e a Provedora de Estudante da UC, os quais mostraram-se solidários com as reivindicações estudantis.
Foto: Beatriz Bento (NEEEC/AAC)