Apesar do aumento da oferta, os preços do arrendamento de quartos em Portugal mantêm-se em trajectória ascendente. Segundo dados divulgados pelo idealista, o número de quartos disponíveis em casas partilhadas aumentou 91% no primeiro trimestre de 2025 face ao mesmo período de 2024. Esta subida dá continuidade a uma tendência que já se vinha verificando nos meses anteriores — no último trimestre de 2024, o aumento tinha sido de 56%.
Contudo, esta maior oferta não travou o encarecimento: os preços subiram, em média, 4% no espaço de um ano. Funchal lidera o ranking das cidades com maior aumento de preços, com um salto impressionante de 50%. Já no Porto, os preços subiram 5%, enquanto em Lisboa houve um decréscimo de 8%. Ainda assim, a capital continua a ser a cidade com os quartos mais caros — em média, 500 euros por mês — seguida pelo Funchal (450 euros), Porto (420 euros) e Faro (400euros).
Do lado da oferta, Coimbra destaca-se como o caso mais expressivo, com um crescimento de 364% na disponibilidade de quartos. Outras cidades com subidas relevantes foram o Porto (137%), Lisboa (128%) e Viseu (72%). Em contrapartida, registaram-se quebras acentuadas em Évora (-40%), Ponta Delgada (-37%) e Vila Real (-27%).
O arrendamento de quartos deixou, há muito, de ser exclusivo dos estudantes. Jovens profissionais, pessoas separadas ou solteiras e até trabalhadores com rendimentos mais baixos recorrem cada vez mais a esta solução habitacional. A partilha de casa é, para muitos, a única forma viável de viver nas grandes cidades portuguesas, face aos preços elevados das rendas tradicionais.
A tendência deverá manter-se nos próximos tempos, com mais pessoas a optarem por quartos em casas partilhadas, não só por motivos económicos, mas também por razões sociais e de conveniência.