O Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra expressou o seu pesar pelo falecimento do arquitecto Vasco Cunha, ocorrido ontem, aos 91 anos.
O funeral do arquitecto Vasco Cunha realiza-se amanhã, terça-feira, às 15h00, do Centro Funerário Nossa Senhora de Lurdes para o cemitério da Conchada, com o velório a realizar-se a partir das 17h30 desta segunda-feira.
Sobre todo o percurso de Vasco Cunha, o Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra refere o seguinte:
“O Arquiteto Vasco Cunha nasceu em Porto Alexandre, atual Tômbwa, em Angola, em 1933. Viajou para Lisboa aos oito anos, onde estudou no antigo Colégio Valsassina e no Liceu Camões. Alguns anos depois mudou-se para Coimbra, onde frequentou o antigo Liceu D. João III atual José Falcão. Obteve o Diploma de Arquiteto na Escola de Belas-Artes do Porto, em 1961, depois da aprovação no CODA, Concurso para a Obtenção do Diploma de Arquitecto, com o projeto de um imóvel de seis habitações na Rua Trindade Coelho, em Coimbra, uma área da cidade em plena expansão na altura. Ainda enquanto estudante, no final da década de 1950, trabalhou com alguns dos arquitetos mais prestigiados da cidade – Manuel Aguiar, Arménio Losa e Cassiano Barbosa, Octávio Lixa Filgueiras e Fernando Távora. No escritório do Arquiteto Fernando Távora, entre outros, trabalhou no projeto do Mercado de Vila da Feira. Távora foi de resto o professor que mais o marcou e que sempre respeitou. Chegou a Coimbra para montar o seu próprio ateliê no final de 1961.
Concluída a sua formação em Arquitetura, na ESBAP, Vasco Cunha regressa para Coimbra no início da década de 1960, tendo trabalhado inicialmente para as HE-FCP (Habitações Económicas – Federação de Caixas de Previdência). Durante a década de 1960, e até ao início da década seguinte, Vasco Cunha trabalhou em parceria com o Arquiteto Rogério Alvarez, com quem constitui a sociedade “AA – Arquitetos Associados”.
Ao longo de cerca de cinco décadas de prática profissional, construiu uma imensa obra, sobretudo na cidade de Coimbra, mas também por todo o país. Tem edifícios projetados desde Trás-os-Montes ao Algarve, nos Açores e em Angola. Edifícios em várias escalas e com programas muito diversos – Habitação coletiva e unifamiliar; habitação económica; edifícios de comércio, serviços e edifícios industriais; equipamentos públicos e sociais.
Durante as décadas de 1980 e 1990, teve uma participação importante na criação do Núcleo de Arquitetos da Região de Coimbra (NARC), constituído como uma estrutura local da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos, e criado inicialmente como Delegação Distrital da então Associação dos Arquitetos Portugueses. Foi na sua condição de Presidente do NARC que, no final da década de 1980, desempenhou um importante papel e motivou a classe dos arquitetos locais a apoiar ativamente a criação de um curso de Arquitetura na Universidade de Coimbra.
Na década de 1990, foi Deputado da Assembleia Municipal e Vereador da CMC. E teve um papel decisivo na criação do Prémio Municipal de Arquitetura “Diogo de Castilho”. Embora o Prémio só tenha sido atribuído pela primeira vez em 2003, em parceria com o NARC, foi criado em 1995 pela CMC, quando Vasco Cunha era Vereador Municipal.
Foi seguramente o arquiteto com mais obra construída na cidade de Coimbra entre as décadas de 1960 e 2010.
O Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra teve a honra de o homenagear ainda em vida e publicar um Mapa de Arquitetura com as suas obras na cidade. Foi com imenso pesar que toda a comunidade académica ligada à Arquitetura tomou conhecimento da notícia do seu falecimento. À família enlutada queremos também transmitir esse pesar e dar a conhecer o respeito que nos inspirou e continua a inspirar o seu percurso profissional”.