Coimbra  18 de Janeiro de 2026 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Nasceu o Teatro do Bigode: nova companhia profissional reforça cultura na Figueira da Foz

11 de Maio 2025 Jornal Campeão: Nasceu o Teatro do Bigode: nova companhia profissional reforça cultura na Figueira da Foz

A Figueira da Foz ganhou oficialmente, na passada sexta-feira, uma nova companhia de teatro profissional. Chama-se Teatro do Bigode, e embora o nome seja novo no panorama cultural português, o grupo que lhe dá vida já percorre palcos desde 2019 com uma mão-cheia de criações que têm deixado marca dentro e fora do concelho.

A estreia formal desta estrutura artística aconteceu a 10 de Maio de 2025, com um compromisso claro: reforçar a oferta cultural da região, fixar talento jovem e contribuir para a criação de um circuito teatral profissional a partir da Figueira. “É um sonho antigo que ganha forma”, resume Guilherme de Bastos Lima, actor, encenador e agora director artístico da companhia.

Um percurso já com provas dadas

A primeira produção do grupo foi o musical A’Vós Avós, que estreou no Centro de Artes e Espectáculos (CAE) da Figueira da Foz e seguiu depois para Barcelos, Albufeira, Gouveia e Coimbra. “E mais teríamos ido se não fosse a pandemia”, recorda Guilherme. Vieram depois projectos como en’Cantar Poetas, Tabacaria e, mais recentemente, Teatro COM Bigode, uma fusão de comédia e música estreada em Abril.

O maior sucesso de público até agora tem sido o musical infanto-juvenil A Flor e o Gnomo, que esgotou sessões em vários concelhos do distrito de Coimbra e tem atraído famílias num raio de mais de 50 quilómetros. “O boca a boca tem sido a nossa melhor publicidade”, sublinha o director artístico.

Profissionalização com raízes locais

Com formação pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e passagem por companhias como o Teatro Politeama e a Yellow Star Company, Guilherme de Bastos Lima é também formador no CAE. “Formei muitos jovens actores figueirenses, alguns já são meus colegas de profissão. Mas sempre me inquietou ver a ausência de uma estrutura profissional na cidade, ao contrário de Coimbra, onde existem vários projectos activos. A Figueira tem espaços, meios e talento. Faltava este passo”, afirma.

Ao seu lado, uma equipa multidisciplinar com formação nas principais escolas artísticas do país: Gabriel de Castilho (ESAD), Alexandra Neto (ESMAE) e Alexandra Curado, pianista e maestrina. Na produção e área técnica, estão Elizabete Coelho, Susana Jorge e João Trindade.

Criar, fixar talento e contar histórias da terra

A missão do Teatro do Bigode é clara: criar uma programação regular, dar palco aos profissionais locais e aproximar os figueirenses do teatro. “Quero que os jovens artistas da cidade não sintam que têm de sair para trabalhar. Quero que a Figueira seja um lugar onde é possível viver da arte, com qualidade e com singularidade”, afirma Guilherme de Bastos Lima.

A companhia promete apostar em obras que dialoguem com a realidade local e com o património cultural da região, sem abdicar de uma linguagem artística contemporânea. “É assim que se criam públicos novos e se gera uma ligação genuína entre o território e a arte”.

Novidades em palco

O futuro já está em construção. Para além do regresso de A Flor e o Gnomo a Coimbra (15 de Junho) e à Figueira (no último semestre de 2025), o Teatro do Bigode prepara uma nova grande produção a anunciar em breve.

Quanto ao estilo, a linha artística da companhia continuará a combinar comédia, música e um cuidado especial com a cenografia e o impacto visual. “Queremos que o público ria, se emocione e pense sobre o mundo em que vive. E acima de tudo, que queira voltar. O nosso trabalho começa agora — e queremos fazê-lo a partir da Figueira, com a Figueira e para muito além dela”, conclui o director artístico.