
Esta é uma carta aberta dirigida ao Vice-Reitor Alfredo Dias, da Universidade de Coimbra, onde denuncio a situação insustentável de insegurança vivida no Colégio das Artes, edifício que alberga o Departamento de Arquitetura da FCTUC e outra unidade orgânica, chamada “Colégio das Artes”.

«Ex.mo Senhor Vice-Reitor Alfredo Dias,
A pessoa que lhe escreve esta carta aberta é o seu colega da Universidade de Coimbra que tentou entrar em contacto consigo no dia 24 de março, com um email, para lhe dizer que temia pela sua saúde física e até mesmo pela sua vida no exercício das funções de docente no Departamento de Arquitetura da FCTUC (dARQ), no Colégio das Artes, uma preocupação que estendia a toda a comunidade dARQ.
Enviei-lhe este email na sequência da tempestade Martinho, que agravou a degradação do Colégio das Artes, ao ponto de cair um pedaço considerável do teto da sala de aula que uso há anos, sala onde foram colocadas escoras metálicas, também há muito, para evitar o colapso do telhado.
No email, perguntava-lhe se eu estaria a exagerar por sentir que a minha vida e a de todos os que usam o Colégio das Artes estavam em risco. Pedi ainda que me fosse passada uma declaração formal que garantisse que o edifício não representa riscos para a saúde física ou a vida dos seus ocupantes. V. Ex.ª optou pelo silêncio. Insisti, mas o silêncio manteve-se, o que é, no limite, uma abdicação das responsabilidades inerentes ao cargo que ocupa.
Entretanto, V. Ex.ª promoveu uma vistoria ao edifício e os seus resultados confirmam que o Colégio das Artes não oferece condições de segurança. Consequência? Foram interditados espaços essenciais à atividade pedagógica do dARQ, sem alternativas funcionais ou um plano de intervenção.
Com surpresa, também foi vedado o acesso a um espaço amplamente usado por toda a comunidade dARQ em dias soalheiros: o terraço que cobre a escadaria principal do edifício e alarga a galeria poente do claustro, no piso superior. Agora, descobriu-se que está em risco…
A situação atual é, pois, insustentável. Não pode ser esta a realidade com que o dARQ será confrontado no início do próximo ano letivo. Não é possível lecionar em espaços vedados. Não é admissível continuar sem garantias mínimas de segurança, conforto e dignidade.
Mas se o seu silêncio é grave, mais inquietante é a decisão de V. Ex.ª autorizar o Chá Dançante e o Baile de Gala da Queima das Fitas no claustro do Colégio das Artes. No mesmo edifício onde se vedaram salas por falta de segurança, abrem-se as portas a centenas de pessoas e parece que será abatida uma árvore para montar uma tenda.
As pessoas que irão a estes eventos sabem que V. Ex.ª admitiu que o edifício não é seguro para os seus ocupantes?
Senhor Vice-Reitor, a sua escolha de nada dizer até agora foi uma opção política, mas a Universidade de Coimbra merece mais e, sobretudo, exige respeito. Como a vida de todas as pessoas que passam pelo Colégio das Artes.
Com consideração institucional e firmeza cidadã».
Adelino Gonçalves
Professor Associado do Departamento de Arquitectura (dARQ) da Universidade de Coimbra