O que é velho é experiente, mas precisa inovação, o que é novo é apelativo, mas foi-se adaptando, não absorveu todos os valores e princípios. A sociedade foi-se sacrificando, adaptando, regenerando, modificando, adquirindo novas causas, com fraternidade ou individualismo. Os estilos de vida foram-se transformando, desregrados ou contidos na razoabilidade e coerência, dissolutos ou púdicos. A política é a arte de defender direitos humanos e promover desenvolvimento sustentável, ou é a escória da manipulação, da devassa e desvergonha, da corrupção e impunidade.
A geração que está a morrer mais do que a viver, resiste e proclama a manutenção da liberdade e da democracia, sem desistir. Os filhos da madrugada vão para a rua gritar por um mundo melhor e pelas condições de vida que não têm, ou causticam a democracia, vão pelo liberalismo e emigram para o que pareça o paraíso. Os netos apreendem e desenvolvem as suas capacidades que o novo mundo lhes traz em afectividade e direitos sociais, ou vão pelos jogos, redes e nova versão e perversão de que é proibido proibir.
A comunicação social reinventa novas formas de atrair a audiência das pessoas e angariar publicidade para subsistência ou luxo, os comentadores classificam as prestações dos políticos como se fossem professores intocáveis. A notícia especulativa é apresentada como a maior desgraça da Humanidade ou desvalorizada por não ter critérios de sedução. Há comunicadores de proventos obscenos que são ídolos pés de barro e há jornalistas que pugnam pela verdade, com risco e ameaças laborais e de vida.
Em tempo eleitoral
Em tempo eleitoral, as forças políticas jogam os seus trunfos e mérito conquistado, ou escondem-se atrás do status quo esperando uma vitória caída do Céu (colaborativo). Fazem uma campanha digna (nem sempre moderna), ou difundem cartazes provocatórios, adulterando figuras e seu protagonismo. Exigem o esclarecimento de suspeições legítimas ou escondem-se atrás da sua desresponsabilização e pretensa superioridade. São ponderados e rigorosos nas suas análises (e por isso são atacados), ou são cataventos do facto e seu contrário, manipuladores de artimanhas e ilusões.
Há sinais de alarme em democracia, mesmo com a persistência da liberdade que tanto custou a conquistar, não por velhos do Restelo, mas por velhos que merecem o reconhecimento que o 25 de Abril (para o qual contribuíram) seja o marco histórico a ser ensinado às gerações que dele usufruem.
O povo é soberano, os cidadãos têm o conhecimento e o discernimento para decidir do seu futuro, a maioria rima com democracia. O 25 de Abril é de todas e todos, mas não deixa de ser estranho que 51 anos após Abril da libertação da ditadura fascista e instauração da democracia civilizada, possam ser priorizadas as teses da direita (liberalismo, hierarquia social, conservadorismo), em desprimor da esquerda (liberdade, fraternidade, igualdade), representativa do socialismo e da social-democracia pura, sem versão deturpada e populista.
Curiosamente, quando a direita tanto ataca a imigração, ouvimos na Assembleia Jovem, na sessão de comemoração do 25 de Abril em Coimbra, o regresso da esperança, a virtude da palavra, a emoção e o sentimento de Ser Humano.
Shaha Mahdi, refugiada síria em Coimbra, há 9 anos, vivendo em casa de acolhimento, preza a aprendizagem da liberdade em Portugal, volta a ter sonhos num País onde todos podem sonhar e quer ser médica cirurgiã, “não porque dê muito dinheiro”, mas para “viajar pelo mundo, salvar pessoas e tornar o mundo melhor”.
(*) Médico e vereador do PS na Câmara de Coimbra