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Morreu Paulo Mendo, ex-ministro da Saúde, aos 92 anos

3 de Abril 2025 Jornal Campeão: Morreu Paulo Mendo, ex-ministro da Saúde, aos 92 anos

O médico Paulo Mendo, que ocupou os cargos de secretário de Estado e ministro da Saúde, morreu hoje aos 92 anos no Hospital de Santo António, no Porto.

Adalberto Paulo da Fonseca Mendo, nascido em Lisboa a 3 de Outubro de 1932, era filho de um engenheiro de Trás-os-Montes e de uma mãe de Amarante. Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em 1949, na altura associada ao Hospital de Santo António, e foi membro do Movimento de Unidade Democrática (MUD Juvenil). Embora tenha começado a estudar Belas Artes, Mendo acabou por voltar à Medicina, tendo sido preso pela PIDE durante dois meses e meio, juntamente com outros membros de associações académicas.

Formou-se em Medicina e iniciou a sua carreira no recém-criado Hospital Escolar de São João, no Porto. Fascinado pelo trabalho do neurocientista Corino de Andrade, ingressou no Hospital de Santo António, onde se dedicou à Neurocirurgia. A sua experiência levou-o a desenvolver técnicas inovadoras em neurorradiologia, área em que se destacou e fundou a especialidade, tanto em Portugal como no mundo, com o apoio de José de Almeida Pinto.

Nos anos 60, Paulo Mendo transferiu-se para Rabat, em Marrocos, em protesto contra a guerra colonial, onde fundou o primeiro Serviço de Neurocirurgia do país. Retornou a Portugal em 1974, após a Revolução dos Cravos, e integrou a Comissão de Trabalhadores do Hospital de Santo António.

Politicamente, Paulo Mendo foi um republicano e laico que transitou do marxismo para o reformismo e, finalmente, para a social-democracia. Desempenhou diversos cargos na área da saúde, sendo director do Serviço de Neurorradiologia entre 1976 e 2000, director do Hospital de Santo António de 1988 a 1993, presidente do Conselho Directivo do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (1984-1988), secretário de Estado da Saúde em dois governos (1976-1977 e 1981-1983) e ministro da Saúde entre 1993 e 1995, no governo de Aníbal Cavaco Silva.

José Barros sublinhou que Paulo Mendo teve uma participação activa na elaboração do Decreto-Lei 310/82, que regulamentou as carreiras médicas em Portugal. Após a sua aposentadoria, em 2000, continuou a contribuir para a área da saúde, destacando-se especialmente pelas suas críticas à burocratização e ao subfinanciamento crónico do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Em 2015, presidiu às comemorações dos 75 anos de Neurologia e Neurociências no Norte de Portugal, no evento NeuroPorto.75.