A resistência das pessoas é uma das maiores dificuldades das autoridades na evacuação das aldeias em caso de incêndio florestal, revelou hoje a investigadora Andreia Rodrigues, da Universidade de Coimbra (UC).
“Temos de melhorar a resistência à ordem de evacuação”, salientou a professora, no Seminário “Decisões e Planos de Evacuação em Cenários de Incêndio Rural”, que decorreu no Pólo II da UC.
A académica, na apresentação dos resultados de exercícios realizados em aldeias vulneráveis, no âmbito do projeto “EvacuarFloresta”, apontou ainda como principais obstáculos à evacuação a decisão de quem assume o papel de oficial de segurança local, a dificuldade em difundir o alarme, conseguir identificar um abrigo dentro da aldeia e classificar quando é seguro permanecer na habitação.
“Se optarmos pela decisão do confinamento, especialmente em situação de pessoas vulneráveis, seria necessário um levantamento exaustivo, que fosse mantido atualizado, para garantir que quem permanece naquela habitação está seguro”, sustentou.
Salientando que não é possível garantir que os habitantes não saem de casa para proteger os seus bens, Andreia Rodrigues disse entender que é preciso discutir muito a questão do confinamento na própria habitação, porque “grande percentagem das vítimas analisadas morreu a tentar combater”.
Como solução, o projecto “EvacuarFloresta” estabelece que, para as aldeias habitacionais e envelhecidas, a opção mais segura é o confinamento em abrigo colectivo.
Para as aldeias com actividade turística, as dificuldades passam pela “auto-evacuação desorganizada, uso das próprias viaturas em caminhos que não conhecem e a dificuldade das autoridades em saber o número exato de pessoas no local”, assim como falhas na comunicação.
“Consideramos que a evacuação preventiva e antecipada é a melhor solução nestas situações”, defendeu a investigadora do Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Estruturas de Engenharia (ISISE) da UC.
O seminário “Decisões e Planos de Evacuação em Cenários de Incêndio Rural” apresentou as conclusões do projecto “EvacuarFloresta”, que envolveu a Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, iniciado há quatro anos.
“É um projecto que, apesar de académico, foi muito direcionado e trabalhado com as populações que podem vir a ser afetadas pelos incêndios rurais”, disse à agência Lusa a coordenadora Aldina Santiago.
Numa fase inicial, o programa estudou legislação e bibliografia sobre o que existe em Portugal e noutros países também afectados pelos incêndios florestais, tendo posteriormente trabalhado com algumas localidades nos concelhos de Lousã e Miranda do Corvo (no distrito de Coimbra) e Sertã (Castelo Branco).
A ideia do projecto passa por auxiliar as autoridades e as localidades nas tomadas de decisões em casos de incêndios florestais, pelo que, segundo Aldina Santiago, “ao longo do projecto foi sendo transmitido todo o conhecimento e as conclusões obtidas às autoridades, que estiveram sempre envolvidas”.
O seminário “Decisões e Planos de Evacuação em Cenários de Incêndio Rural” termina este sábado, com um simulacro de evacuação da aldeia de Ribeira da Misarela, no concelho de Coimbra.