Coimbra  18 de Maio de 2026 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Hernâni Caniço

Coimbra progressista é preciso

4 de Outubro 2024

Após 3 anos de mandato conservador na autarquia de Coimbra, em deturpação histórica glorificada por “só sei que tudo sei”, afinal, o que mudou em Coimbra?

A cidade é um chão de lixo e terreno ervado; as obras (que outros idealizaram) materializam-se na confusão, irritação e perda de tempo para alunos, trabalhadores, pais e professores; a cultura é uma panóplia de eventos por atacado, desperdiçando a marca “Coimbra”; os transportes públicos degradam-se e tudo se tenta desde a internalização falhada até privatizar.

Promove-se a guetização da habitação social em bairros concentrados e fora do tecido urbano (ainda se queixa de receber 222 milhões do PRR); o plano municipal de combate às alterações climáticas ficou para as calendas; as associações culturais, desportivas e recreativas vivem à míngua enquanto outros (Casa da Escrita transformada com amizade, por exemplo) prosperam; as Juntas de Freguesia não tiveram o aumento prometido eleitoralmente para o seu trabalho desgastante.

Mas, de facto, há crescimento que enrica a urbe (?).

Há marketing e publicidade de tudo o que se faz mesmo enquanto se pensa fazer, até de uma paragem de autocarro, rotunda ou pilarete; há festas, festinhas e festarolas, em toda a parte da cidade (e as freguesias rurais?), de preferência com agentes, comerciantes e produtos de fora de Coimbra; há redes sociais, com titulares, mensageiros, bajuladores e dependentes, que massacram os utilizadores repetindo dislates até à exaustão.

E há reuniões da Câmara, transmitidas em directo, onde o titular executivo hostiliza quem não é por si, não responde às questões quando não lhe convêm, profere bravatas com presunção a respeito dos seus atributos e poderes pessoais, insulta mesmo os vereadores da oposição, repetidamente.

É necessário, imperioso e urgente, criar Coimbra à Frente, onde se unam o desenvolvimento económico (incluindo a economia solidária), o incremento dos direitos sociais, a harmonia com o ambiente (sem contradições) e a cultura (sem manipulações), a tradição (que mobiliza o turismo e o comércio justo) e a inovação (que aproveita a inteligência artificial), o património mundial e a criatividade que gera recursos humanos e financeiros, as forças políticas progressistas e os movimentos de opinião por causas solidárias.

 

Precisa-se liderança

amistosa e sapiente

 

No estertor do mandato conservador autárquico, é preciso, imperioso e urgente programar Coimbra progressista, baseado na ideia de que o progresso, entendido como avanço científico, tecnológico, económico e comunitário, é vital para o aperfeiçoamento da condição humana, tornando Coimbra um expoente material e defesa da transformação social e aquisição de direitos humanos.

Coimbra precisa de liderança experiente, amistosa e sapiente, que tenha o conhecimento da cidade / município e dos seus fluxos e variabilidade eleitoral, a capacidade de diálogo (entre instituições, organizações cidadãs e pessoas) e a prática de proximidade e integração local (sem presunção, sem autocracia, sem pedantismo de poder).

Que tenha competência e disponibilidade para aprender e para angariar votos de indecisos, captar elites urbanas e influenciar eleitores de direita moderada e democrática, liderança para executar um programa ganhador, para ouvir os presidentes de juntas de freguesia e os responsáveis políticos, para ouvir a juventude e as suas perspectivas futuristas de sociedade, para ouvir as mulheres em prol da igualdade que por vezes só existe no papel.

Que debata com elegância e convicção, para decidir metodologias, formatos e campanhas que não sejam mais do mesmo, para demonstrar que o PSD já não é um partido social-democrata, para eventuais coligações parcelares onde seja oportuno e com quem seja adequado e rentável eleitoralmente.

Coimbra precisa de um(a) candidato(a) que produza ideias-força da sua candidatura, e que ouça o que pensam os cidadãos sobre o concelho, a caracterização sociodemográfica, os problemas existentes, as ideias a recolher, a experiência de quem vive no concelho urbano e rural.

Assim, Coimbra deixará de ser conservadora e passará a ser progressista.

(*) Médico e vereador do PS na Câmara de Coimbra