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Tim Vieira: liderança e inovação para um Portugal mais forte

8 de Setembro 2024 Jornal Campeão: Tim Vieira: liderança e inovação para um Portugal mais forte

Tim Vieira, fundador da Brave Generation Academy (BGA), esteve recentemente em Coimbra para a inauguração oficial do mais recente Hub da academia na cidade. Localizado na Rua da Louça, o espaço promete revolucionar a educação na região com um currículo 100% internacional, leccionado em inglês. Numa entrevista exclusiva, Tim Vieira partilha a visão que o levou a criar a BGA e a importância de preparar jovens para um futuro global e digital.

 

Campeão das Províncias [CP]: É gestor e um verdadeiro empreendedor, com um vasto currículo e sucessos, mas nunca esteve ligado ao ensino. Como surgiu a BGA?

Tim Vieira [TV]: Nunca estive directamente envolvido no ensino, mas passei muitos anos na escola e também na universidade, por isso compreendo em primeira mão o que vivi e recordo-me bem de como era a escola. A verdade é que a escola continua a ser praticamente a mesma coisa que era no meu tempo, no tempo dos meus pais e até no tempo dos meus avós. Foi por isso que decidi criar uma escola diferente para os meus filhos. Percebi que eles precisavam de uma escola mais preparada para o mundo actual e, por essa razão, iniciei o projecto BGA.

Comecei a perguntar-me sempre: o que é melhor para os alunos? O que é melhor para os meus filhos? O que é preciso fazer para garantir o melhor para eles? Foi assim que o projecto BGA começou, sempre com o foco no aluno, colocando-o em primeiro lugar, ao contrário do que muitas vezes acontece nas escolas, onde o aluno acaba por ser relegado para segundo plano. No mundo de hoje, é possível pensar de forma diferente, especialmente porque o mundo em si é diferente.

 

 

[CP]: O ensino em Portugal precisa de uma grande remodelação?

[TV]: Os problemas nas escolas em Portugal são semelhantes aos problemas nas escolas a nível mundial. Não é apenas Portugal que enfrenta estas dificuldades no ensino; a escola, em todo o mundo, tem permanecido praticamente a mesma e não tem acompanhado as mudanças necessárias, o que constitui o grande problema.

A verdade é que não precisamos de uma revolução completa no sistema educativo, mas sim de uma evolução. As escolas precisam de começar a pensar de forma diferente. Em Portugal, podemos começar a reflectir sobre o que é necessário para conseguirmos ter uma escola que evolua para responder às exigências dos dias de hoje.

É possível começar a fazer essa mudança através de uma combinação de tecnologia, integrando o online com o offline, e desenvolvendo soluções para os professores e para os currículos que interessem às crianças, preparando-as para o que o mundo vai exigir destes novos alunos. Acredito que é possível evoluir para uma escola melhor, uma escola com soluções adequadas às necessidades do presente.

 

[CP]: Os currículos que hoje são leccionados ainda fazem sentido ou estão desajustados aos tempos que correm?

[TV]: Eu acho que ainda há partes do currículo que são importantes, mas há outras que já não têm tanta relevância. Nos dias de hoje, temos a ideia de que ainda precisamos de estar a responder a perguntas, mas já temos toda a informação ao nosso dispor, com imensos dados literalmente nas nossas mãos. O que vai começar a ser mais importante é saber como fazemos perguntas em vez de apenas memorizar respostas.

Além disso, não faz sentido termos 12 anos de escola para depois, numa única sessão de exames, determinarmos os resultados que nos acompanharão pelo resto da vida. Acho que, hoje em dia, deveríamos começar a usar a tecnologia para criar um portefólio que mostre o que a criança compreende, o que ela gosta, e não apenas focar-nos em exames. Precisamos de incluir outras competências no currículo, como pensar de forma inovadora, trabalhar em equipa e resolver problemas.

Há muito a ser repensado para que o currículo comece a mudar e nos ajude a estar verdadeiramente preparados para o mundo de hoje.

 

[CP]: Em que é que esta escola é diferente? Como funciona?

[TV]: Conseguimos colocar os alunos em primeiro lugar, dando-lhes a oportunidade de terem uma escola mais flexível, personalizada e relevante para os dias de hoje. Com isso, conseguimos ter crianças de idades diferentes na mesma sala, mas em turmas distintas, o que é muito benéfico, pois permite que desenvolvam competências variadas. Além disso, alunos mais velhos ou mais avançados podem ajudar os mais novos, promovendo a colaboração entre eles.

Esta flexibilidade também contribui para reduzir a ansiedade nas aulas, uma vez que as crianças sabem que podem fazer os exames quando estiverem preparadas, e não o contrário. Conseguimos, assim, dar-lhes a oportunidade de desenvolverem os seus talentos e paixões, enquanto continuam a frequentar a escola, permitindo até que trabalhem em currículos adaptados às suas necessidades individuais, utilizando a tecnologia para personalizar o ensino.

Além disso, conseguimos implementar escolas em locais onde elas são realmente necessárias, como no Fundão ou em áreas mais isoladas, onde seria difícil ter uma grande escola a oferecer todos estes currículos personalizados. Desta forma, conseguimos ligar-nos a essas comunidades e crescer nelas, demonstrando que são as pequenas coisas que fazem grandes diferenças. É isso que a BGA se propõe a fazer.

 

[CP]: Há muitas pessoas à procura de modelos de ensino diferentes?

[TV]: O nome Brave Generation Academy foi escolhido com os pais em mente, porque são eles que já passaram pela escola tradicional. Os avós, como mencionei, também viveram essa experiência, e é difícil mudar quando estamos habituados a algo que conhecemos e que acreditamos ser a forma correcta de fazer as coisas. Continuamos a seguir esse modelo porque é assim que sempre foi feito. No entanto, hoje em dia, cada vez mais pais querem o melhor para os seus filhos e reconhecem que, por vezes, o melhor já não é o que é tradicional ou amplamente aceite.

Estes pais começam a procurar soluções que sejam realmente adequadas para os seus filhos, e por isso, estamos a ver um número crescente de pais que desejam este tipo de escola, assim como um maior interesse por parte de várias comunidades. E isto faz todo o sentido, não é?

 

 

[CP]: Os alunos que frequentam a BGA ficam preparados para os exames?

[TV]: A escola é academicamente muito forte e consegue proporcionar aos alunos uma forma de aprender que é ao mesmo tempo personalizada e intensiva. Se um aluno tem uma grande afinidade com a matemática, pode aprofundar mais nessa área e terá sempre o apoio necessário. A tecnologia também ajuda a potenciar esse processo.

Academicamente, temos obtido grandes resultados. Já temos alunos a ingressar nas melhores universidades do mundo, como Stanford, Berkeley e Penn State, entre outras. No entanto, o nosso objectivo não é apenas ter alunos fortes academicamente; queremos formar alunos completos, com um desenvolvimento integral. Para alcançar isso, precisamos oferecer soluções académicas, mas também permitir que os alunos cresçam em outras áreas, como desportos, cultura e outros interesses que possam ter e nas quais possuam talento.

Este enfoque é um dos nossos maiores sucessos na BGA.

 

[CP]: Para além de ser CEO da BGA é também candidato às eleições presidenciais? 

[TV]: Estou numa situação da vida em que quero criar impacto, especialmente na educação, que é uma das áreas onde estou a ter grande sucesso no momento e que representa um novo foco para mim. No entanto, vejo que a mentalidade actual é muito difícil de mudar e, nesse contexto, cheguei a um ponto em que precisei reflectir se acreditava em Portugal ou não. Estava a tornar-se difícil afirmar que acreditava na forma como as coisas estavam a ser feitas.

Então, comecei a pensar em como poderia contribuir para mudar o país em vez de simplesmente mudar-me para outro lugar. Foi por isso que decidi entrar na política. Não foi algo que eu tivesse planeado ou desejado inicialmente, mas agora estou entusiasmado com a possibilidade de fazer alguma diferença. Quero mostrar às pessoas que é possível entrar na política e tentar fazer a diferença, em vez de apenas falar mal e ser parte do problema.

Acredito que precisamos de pessoas que se disponibilizem para ajudar, em vez de se limitarem a criticar sem agir. E é exactamente isso que eu pretendo fazer.

 

[CP]: Que objectivos tem para Portugal?

[TV]: Portugal precisa de uma rede de oportunidades que realmente faça a diferença, e isso só é possível se trabalharmos juntos, unindo os partidos para servir o país e não apenas os interesses partidários. O que eu gostaria para Portugal é que pudéssemos criar um ambiente onde as pessoas tenham oportunidades para permanecer no país, sem que precisem de sair em busca de melhores condições. E isso não se resume a salários altos; é também sobre permitir que as pessoas trabalhem e utilizem os seus talentos.

Gostaria de ser um exemplo para Portugal. Pretendo cumprir apenas um mandato e, durante esse tempo, trabalhar ao máximo para atrair outras pessoas interessantes para a política, pessoas com talentos que possam fazer uma grande diferença.

Para mim, é fundamental começar a mostrar que é possível fazer as coisas de forma diferente e que todos temos de ser responsáveis pelo futuro que queremos. Não podemos deixar essa responsabilidade apenas nas mãos dos outros.

Acredito que, após 50 anos, Portugal deve orgulhar-se do que conquistou, mas também reconhecer que pode melhorar em muitos aspectos. Tenho o privilégio de viver neste país e sinto que tenho o dever de contribuir para o seu desenvolvimento. É isso que eu espero alcançar com a minha candidatura.

 

Entrevista: Joana Alvim

Publicada na edição do “Campeão” em papel de quinta-feira, dia 5 de Setembro de 2024