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Universidade de Coimbra descobre nova esperança para o tratamento da ansiedade

8 de Fevereiro 2024 Jornal Campeão: Universidade de Coimbra descobre nova esperança para o tratamento da ansiedade

Alguns membros da equipa de investigação (da esquerda para a direita: Carlos B. Duarte, Mónica Santos, Gianluca Masella e Francisca Silva)

 

Uma equipa de investigadores, liderada pela Universidade de Coimbra (UC), descobriu um novo mediador na modificação das memórias relacionadas ao medo. Esta descoberta pode pavimentar o caminho para o desenvolvimento de terapias mais eficazes no tratamento de distúrbios de ansiedade. Tais condições de saúde são caracterizadas por um medo desproporcional ou inadequado, juntamente com dificuldades na extinção desse medo, tornando-se uma das condições de saúde mais comuns em todo o mundo, agravada ainda mais pela pandemia.

No estudo intitulado “The amygdala NT3-TrkC pathway underlies inter-individual differences in fear extinction and related synaptic plasticity”, utilizando um modelo comportamental de extinção do medo, os cientistas identificaram um aumento na activação da proteína TrkC na amígdala – a região cerebral que controla a resposta ao medo – durante a formação da memória de extinção do medo. Esse aumento da activação está associado a uma maior plasticidade sináptica, que é a capacidade dos neurónios de alterar a sua comunicação em resposta aos estímulos, explica a investigadora Mónica Santos, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC (CNC-UC) e do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CIBB).

Actualmente, as terapias de exposição são uma das opções terapêuticas para os distúrbios de ansiedade, pois baseiam-se no mecanismo de extinção do medo. No entanto, essas terapias, assim como o uso de medicamentos como ansiolíticos e antidepressivos, não são totalmente eficazes no tratamento desses problemas de saúde. Por conseguinte, esta investigação abre novas perspectivas terapêuticas para esta categoria de distúrbios, afirma a investigadora.

Este estudo valida a via TrkC como um possível alvo terapêutico para indivíduos com doenças relacionadas com o medo e sugere que a combinação de terapias de exposição com fármacos que potenciam a plasticidade sináptica pode ser mais eficaz e duradoura no tratamento dos distúrbios de ansiedade, acrescenta a líder da investigação.

Quanto aos próximos passos, a equipa de investigação pretende identificar compostos que possam activar especificamente a molécula TrkC e utilizá-los como fármacos complementares à terapia de exposição no tratamento de doentes com distúrbios de ansiedade, revela Mónica Santos.

Este estudo foi financiado pela Fundação Bial, no âmbito da bolsa de financiamento 85/18 – Papel do NT3/TrkC na regulação do medo e contou com a participação de outros investigadores do CNC-UC – Gianluca Masella, Francisca Silva e Carlos B. Duarte -, bem como de investigadores da Faculdade de Medicina da UC e do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC. Também houve colaboração da Universidade do País Basco.

O artigo científico foi publicado na revista Molecular Psychiatry e está disponível em https://doi.org/10.1038/s41380-024-02412-z.