Centenas de agricultores estão a manifestar-se hoje em Coimbra, bloqueando estradas e congestionando o trânsito com mais de 200 tractores e máquinas agrícolas. A acção faz parte de uma série de protestos que ocorrem em todo o país, organizados pelo Movimento Civil Agricultores de Portugal.
O grupo, proveniente do Baixo Mondego, iniciou a sua marcha lenta pela Estrada Nacional (EN) 111 desde as 10h30, em direcção à Baixa de Coimbra. Às 14h00, os manifestantes chegaram à cidade, concentrando-se junto à Direcção Regional de Agricultura e Pescas. A PSP já havia reservado uma área para estacionamento, embora a quantidade de tractores tenha excedido as expectativas, levando a preocupações sobre a falta de espaço.
“A razão da inflação não está na produção” foi uma das frases de destaque durante o protesto, evidenciando as preocupações dos agricultores em relação a várias questões que afectam o sector. O protesto em Coimbra parece ter surgido de forma espontânea, não estando inicialmente integrado na programação do Movimento Civil Agricultores de Portugal.
Este protesto ocorre um dia após o Governo anunciar um pacote de mais de 400 milhões de euros, destinado a mitigar os impactos da seca e reforçar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC). No entanto, os agricultores continuam a reivindicar o direito à alimentação adequada, condições justas e a valorização da actividade agrícola.
Enquanto Coimbra foi palco de uma das manifestações mais expressivas, outras regiões do país também testemunharam bloqueios e protestos. Várias estradas de acesso à fronteira com Espanha foram interrompidas por agricultores portugueses em tractores, que aderiram à iniciativa do Movimento Civil de Agricultores.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) informou que desde as primeiras horas da manhã, estradas em diferentes regiões, como Guarda, Elvas, Santarém, Beja, Bragança e outros locais, estavam condicionadas devido aos protestos. Em alguns casos, como em Elvas, os agricultores ameaçam levar os protestos até Lisboa se o Governo não abordar suas reivindicações.
A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, instou os agricultores a confiarem no Governo e nas instâncias europeias, afirmando que será solicitada autorização à Comissão Europeia para utilizar o Orçamento do Estado a fim de evitar distorções no mercado. Enquanto isso, as acções de protesto continuam a ser acompanhadas pela GNR e pela Guardia Civil espanhola nas áreas de fronteira.
O Movimento Civil de Agricultores reforça a sua postura, apresentando-se como um movimento espontâneo e apartidário, destacando a preparação dos agricultores portugueses para “se defenderem do ataque permanente à sustentabilidade, à soberania alimentar e à vida rural”. Este movimento ecoa manifestações semelhantes em outros países europeus, onde os agricultores denunciam a queda de rendimentos, pensões baixas, complexidade administrativa, inflação dos padrões e a concorrência estrangeira.