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Paula Helena Silva: a médica que faz da política uma missão de vida em Coimbra

24 de Dezembro 2023 Jornal Campeão: Paula Helena Silva: a médica que faz da política uma missão de vida em Coimbra

Nasceu em Lourenço Marques, actual Maputo, capital de Moçambique, em 1963. Aos 11 anos, Paula Helena Silva, vem viver para Portugal e é em Setúbal, onde os pais se radicam, que faz o liceu e passa toda a adolescência.

Entra na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em 1982, onde esteve seis anos. Retorna, após os estudos, a Setúbal, tendo feito a Especialidade no Hospital Ortopédico Sant’Iago do Outão, na Arrábida, “uma referência na Ortopedia ainda hoje em Portugal”. E foi aqui que fez carreira durante 13 anos.

Com quatro filhos, vive actualmente em Coimbra e é Directora do Serviço de Urgência do Centro Hospitalar de Leiria. Ao “Campeão” explica como nasceu esta paixão pela Medicina. “Desde criança que esta área me está no sangue. Ainda em Maputo, com cinco anos, já eu ia com uma amiga da minha mãe, que era voluntária da Cruz Vermelha, ao Hospital Militar de Lourenço Marques. E ainda hoje tenho ideia de entrar naquela enfermaria, com camas de um lado e outro, e ter memórias muito fortes daquele tempo”, recorda.

Depois de Setúbal, vai para a Covilhã, onde exerceu entre 2003 e 2011, e descreve esses anos como “extraordinários”. Além de médica, foi nesse tempo que iniciou o doutoramento, e deu aulas de Anatomia e Ortopedia na Universidade da Beira Interior. “Foi muito gratificante, ainda hoje lá vou dar consultas”, conta.

Fixa-se, entretanto, em Coimbra, onde vive, tendo trabalhado 11 anos em Aveiro e, desde 2022, que exerce no Centro Hospitalar de Leiria, como já foi referido. Olhando para trás, Paula Helena Silva lembra que é das primeiras mulheres ortopedistas em Portugal e lembra que “a vida não foi fácil, sobretudo para uma mulher, médica e em Ortopedia”. Sublinha que, no início, esta Especialidade “estava muito ligada à força e os homens nesta profissão achavam que só eles podiam exercer”. Pese embora ainda hoje a Ortopedia seja ainda dominada por homens, já há cada vez mais mulheres, além de que “houve uma enorme evolução, nomeadamente a nível das técnicas ortopédicas”. E considera que ao nível do Serviço Nacional de Saúdes, esta é uma área “que está muito bem, com bons médicos”, ainda que no Interior “haja uma enorme escassez de profissionais, nesta e noutras Especialidades”.

Coimbra é a cidade do meu coração”

Falando de Coimbra e da sua ligação à cidade, a médica não hesita em dizer que “Coimbra é a cidade do meu coração” e também foi por isso que decidiu abraçar outra causa na sua vida: a política.

Com fortes influências na família desde cedo (pelo pai, dirigente do PPD/PSD em Setúbal durante anos), Paula Helena Silva decidiu filiar-se no CDS-PP nos últimos anos e é actualmente Delegada Distrital do partido em Coimbra, cuja sede foi inaugurada em Novembro deste ano.

Desde os tempos da Universidade que teve sempre uma vida política muito activa, tendo integrado durante os seis anos de estudos a Assembleia de Representantes da Faculdade de Medicina (em representação do PPD/PSD). Contudo, depois disso, afastou-se, um “pouco descrente com o rumo que o país político ia tomando”. E não hesita na resposta quando lhe perguntamos quais são as suas referências: Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa.

Sobre este novo desafio em Coimbra garante que o aceitou porque sente que tem o dever de “servir as pessoas a partir das causas em que acredita”. “É um dever que tenho. É um serviço que tenho de prestar. E esta é a liderança em que me revejo. É este o partido que defende os valores que também quero para a minha vida. O servir, mais uma vez, pesou na minha decisão”.

Este trabalho é difícil, porque as pessoas estão descrentes, e o que tenho apelado é a uma união, porque se calhar esta é uma das últimas provas para o CDS mostrar que é ‘agora ou nunca’. É agora que temos de provar que estamos preparados para integrar, se possível, um novo Governo. É, sem dúvida, uma prova de vida”, vinca a responsável. Afirma que, pelo contacto que tem tido com a rua, sente que “em todo o distrito de Coimbra as pessoas estão motivadas. E eu estou aqui para unir, porque o tempo é de união”.

Legislativas

Quanto aos objectivos para as eleições legislativas de 10 de Março, Paula Helena Silva reconhece que não são os mesmos em Lisboa e Porto, por exemplo, não só pelas especificidades de cada um, mas também porque Coimbra é um distrito maioritariamente rural.

Elege a Saúde como um sector vital, tendo em conta “as necessidades que existem bem como a falta de médicos gritante que existe no Interior do distrito”. “Na Pampilhosa da Serra, aquela população não sabe muito bem se se vira para Coimbra ou para a Covilhã. É essencial olhar para os concelhos mais isolados e que sofrem com a interioridade”, alerta.

Depois, a responsável diz que “o mais importante para Coimbra é fixar os jovens que são formados na Universidade. E englobo toda a Academia, incluindo os Politécnicos. Neste momento, acho que este deve ser um dos grandes desafios. Porque estamos a formar as pessoas e depois perdemo-las para os grandes centros como Lisboa, Porto e até para o estrangeiro. É uma das grandes prioridades”, defende.

Por fim, vê na Agricultura, e toda a região do Baixo Mondego, que está a atravessar problemas gravíssimos, outro sector essencial e que “necessita de muita atenção”.

Por tudo isto, e nesta caminhada rumo às legislativas, o CDS irá replicar até Janeiro as “Conversas do Caldas”, uma iniciativa que nasceu em Lisboa pelas mãos do presidente Nuno Melo e que pretende identificar os problemas do país, debatê-los e apresentar soluções. Este ciclo de debates visa juntar personalidades das mais diversas áreas, desde a Saúde, Educação, Justiça, Economia, Ambiente e Cultura, entre outros.

O primeiro vai acontecer em Coimbra a 11 de Janeiro, na sede distrital do CDS, com o tema da Saúde em destaque, e junta o médico Nuno Freitas e o jurista António Miguel Arnaut. Seguir-se-ão outros, ainda em Janeiro, sendo um deles centrado na Agricultura.

Paula Helena Silva termina, dizendo que o CDS “está preparado para ir a votos e para lutar pelos interesses da população do distrito de Coimbra” e advoga que “os valores fundacionais do partido são os valores do país: a família, a liberdade, o trabalho e o respeito”. “Temos, naturalmente, que nos adaptar às novas realidades sociais, mas defendemos valores inclusivos e não tenho dúvidas de que as pessoas têm saudades da democracia cristã e querem-na de volta”.

Ana Clara, jornalista do “Campeão” em Lisboa

Texto publicado na edição em papel do “Campeão” de 21 de Dezembro de 2023