“As Misericórdias em Portugal estão a passar por sérias e graves dificuldades financeiras divido aos insuficientes apoios do estado” disse o provedor Joaquim de Sousa na última assembleia geral da Instituição, explicando que a Misericórdia Obra da Figueira deverá este ano em curso “aproximar-se de um prejuízo na ordem dos 300 mil euros”.
Num discurso claro Joaquim de Sousa falou do “aumento constante das despesas obrigatórias”, com relevo para os gastos do pessoal e face à insuficiência das comparticipações do Estado ao abrigo dos acordos de cooperação, a Instituição está a atravessar, aliás de todo o Sector Social, “uma fase de grandes dificuldades, com relevo no orçamento agora apresentado”. A juntar a todas estas dificuldades, há ainda as obras de manutenção previstas e absolutamente inadiáveis, e as imprevistas como foi recentemente o caso de um entupimento no saneamento junto à creche e jardim de infância, já resolvido, que orçou em quase 50 mil euros.
Nas explicações que deu à assembleia, a conta de exploração previsional apresenta um total 4 063 349,99 euros de gastos (mais 14,5% que no ano anterior), e 3 949 936,49 euros de rendimentos (mais 13,1% que no ano anterior). ”A situação está insuportável”. Há misericórdia já a fechar porque o Estado não cumpre os acordos, “fica tudo abaixo dos 50% dos custos” e a diferença tem de ser suportada pelas famílias e pelas Misericórdias “que estão a consumir o seu património para minimizar esses efeitos” disse.
Nesta assembleia geral presidida por Gabriela Cardoso (em substituição de Teresa Machado que não pode estar presente por razões de saúde), todos os pontos em agenda (apreciação, discussão e votação do Plano de Acção, da Conta de Exploração Provisional e do Orçamento de Investimento para 2024, bem como autorização para alienação de património), foram aprovados por unanimidade.