A Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Velho, que acaba de comemorar os seus 525 anos de existência, é uma instituição de inegável relevância e prestígio não apenas no concelho, mas também no distrito de Coimbra e a nível nacional. A sua fundação em 1498, no Baixo Mondego, testemunha a sua importância no contexto histórico de Portugal. Naquele ano, foram criadas 13 misericórdias, incluindo a de Lisboa e é possível medir a influência de Montemor-o-Velho nesse período.
Apesar de não se conhecer a data exacta da sua criação – um ponto ainda objecto de investigação e estudo – sabe-se, contudo, que foi fundada no mesmo ano que a de Lisboa, conforme explica António Correia da Fonseca e Andrade no livro 10 da História Manlianense e na tese de Costa Goodelphim na publicação “Origem e fundação das Misericórdias Portuguesas”.
Nesta celebração dos 525 anos, realizada na Igreja da Misericórdia no último sábado e presidida por Emílio Torrão, presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, Deolindo Correia, presidente da Assembleia Geral, apresentou uma contextualização dos valores e missão desta Instituição, destacando que, assim como naquela época, actualmente “a caridade tem o seu custo financeiro”.
Manuel Carraco dos Reis, Provedor da Instituição, recordou que as misericórdias viveram altos e baixos nos séculos XVIII e XIX. Houve períodos de prosperidade, outros menos favoráveis e momentos verdadeiramente difíceis, em que as disparidades eram cada vez mais evidentes. “O tempo nunca é estático e hoje vivemos com dificuldades”, sublinhou.
A sessão solene prosseguiu com intervenções de Nuno Gomes, do Secretariado Regional de Coimbra, que destacou as misericórdias como uma parte integral da cultura portuguesa. Gomes realçou que actualmente enfrentam a quarta crise, com diversos desafios e que desempenham um papel vital no modelo da Segurança Social, sendo frequentemente uma escolha política em várias situações. Alertou ainda para os diversos riscos que enfrentam, incluindo a possibilidade de municipalização e reforçou a importância de demonstrar mais respeito por estas instituições.
Emílio Torrão encerrou a sessão, reconhecendo que os tempos actuais são complexos, mas sublinhando a necessidade de “repensar as misericórdias para o futuro, aproveitando todo o seu conhecimento acumulado ao longo dos séculos”.
A sessão solene comemorativa do 525.º aniversário da Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Velho culminou num concerto pelo coro “Alma de Coimbra”, proporcionando um final emocionante e marcante para esta ocasião especial.