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Empresa de Penacova transforma acácia em biocarvão para combater espécie invasora

1 de Setembro 2023 Jornal Campeão: Empresa de Penacova transforma acácia em biocarvão para combater espécie invasora

Uma empresa sediada em Penacova está a contribuir para o combate à acácia, uma espécie invasora cada vez mais prevalente nas florestas portuguesas, ao transformá-la em biocarvão, uma alternativa que produz menos fumo e possui um maior poder calorífico.

O biocarvão Ekoology, que entrou no mercado em 2020, utiliza exclusivamente a madeira da acácia.

De acordo com Nuno Cabral, administrador executivo da empresa Kool Nature, esta iniciativa visa a erradicação da acácia, uma espécie invasora nas florestas portuguesas. A empresa faz parte do grupo Globescala, com investimentos em Angola, e decidiu apostar na produção de biocarvão em vez do carvão vegetal tradicional.

Nuno Cabral explicou: “Percebemos que existe muita acácia em Portugal e que isso é um problema. Cortar um hectare de acácia custa entre dois e três mil euros e é uma madeira que não tem valor económico. Decidimos criar uma mais-valia, não para incentivar a sua plantação, mas para contribuir para o seu abate.”

Com estimativas a apontar para “milhões de toneladas” de acácia em todo o país, o grupo fundou a Kool Nature em 2018 e lançou um projecto financiado por fundos comunitários para transformar a acácia em biocarvão.

A empresa estabeleceu um complexo industrial em Penacova, uma área onde a acácia é abundante e que está próxima de outras zonas florestais onde esta espécie ocupa vastas áreas.

A Kool Nature, que consome cerca de 12 mil toneladas de acácia anualmente, estabeleceu também uma parceria com a WWF (World Wide Fund for Nature) e com o núcleo de investigação da Universidade de Coimbra dedicado às espécies invasoras em Portugal.

Apesar da crescente presença da acácia nas florestas portuguesas, encontrar matéria-prima tem sido um desafio. Segundo Nuno Cabral, “Não é fácil mudar as mentalidades. Precisamos de consciencializar os madeireiros para que saibam que existe uma unidade industrial que aproveita a acácia, porque eles não a vêem como uma fonte de rendimento. Eles simplesmente destroem as acácias para chegar ao eucalipto.”

O biocarvão produzido pela empresa é mais caro de produzir do que o carvão tradicional, mas é uma alternativa mais ecológica, uma vez que não liberta toxinas associadas ao carvão convencional.

Actualmente, a empresa fornece biocarvão para todas as lojas da rede de supermercados Aldi em Portugal e procura expandir-se para mercados estrangeiros, com o objectivo de aumentar a sua quota de exportação de 5% para 40%.

A empresa prevê um crescimento de 30% na facturação este ano, com uma estimativa de três milhões de euros e prevê atingir cerca de 3,5 milhões de euros em 2024. Embora o biocarvão seja actualmente mais caro e menos conhecido do que o carvão tradicional, a empresa planeia aumentar os preços à medida que o produto se tornar mais popular entre os consumidores.

Actualmente, a empresa emprega 26 pessoas, mas em caso de produção máxima, esse número pode chegar a 32.